O coronel Nivaldo Restivo tomou posse nesta sexta-feira (17) como
comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo e, na primeira
entrevista à frente do cargo, disse que considera “legítima e
necessária" a ação policial que culminou no massacre do Carandiru.
Ocorrida em 1992, a rebelião na agora extinta casa de detenção na Zona
Norte da capital terminou com 111 presos mortos após entrada da PM no
complexo.
Restivo está entre os acusados pelo Ministério Público de envolvimento
no massacre. À época, ele era tenente do 2º batalhão da Tropa de Choque
e, segundo a denúncia do órgão, não impediu que policiais sob seu
comando praticassem atos de violência contra detentos sobreviventes.
O novo comandante da PM alega que em 2 de outubro de 1992 era apenas
responsável pelo suprimento do material logístico da tropa que estava
atuando. "Não tinha a tropa sob meu comando. Não participei de
intervenção direta de qualquer natureza. Seja para controlar o tumulto
que se instalou, seja depois para o trabalho de rescaldo ou o que quer
que seja", disse nesta sexta.
Questionado sobre qual seria, então, sua opinião sobre a ação da
polícia no Carandiru, Restivo disse: "Minha opinião pessoal eu vou
reservar para mim, porque o processo está em andamento. Agora eu tenho a
convicção de que a atuação da Polícia Militar foi legítima e
necessária. Não vou detalhar porque ainda existe grau de recurso no
processo. Não seria bom que comentássemos".
Massacre
O Massacre do Carandiru ocorreu após uma briga entre grupos rivais de
presos que logo deu início a uma rebelião no pavilhão 9 da casa de
detenção.
O então comandante da Tropa de Choque da Polícia Militar (PM), coronel
Ubiratan Guimarães, entrou no presídio com seus comandados armados para,
em tese, controlar a situação, mas a operação deixou um saldo de 111
mortos.
O episódio completa 25 anos em 2017 e, até o momento, apenas um dos
policiais acusados de participar da matança está preso. E por outro
crime. Os policiais envolvidos foram julgados e condenados, mas o Tribunal de Justiça anulou os júris.
Foto de 92 mostra multidão de parentes e curiosos na entrada do
Carandiru à espera de notícias (Foto: Heitor Hui/Estadão
Conteúdo/Arquivo)
Por Will Soares, G1 São Paulo






