A expectativa de salário e a progressão do valor na carreira são
aspectos visados por vestibulandos no momento de escolher uma profissão.
A remuneração de pessoas formadas em direito disparam na frente das
carreiras dos 10 cursos com maior número de matrículas e formados, de
acordo com pesquisa feita pela empresa de ciência de dados IDados. O
curso também apresenta maior progressão financeira: do salário inicial
para o médio da carreira, o crescimento é de 195%.
A pedido do G1,
o IDados se baseou em números fornecidos pelo Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para analisar as remunerações dos 10
cursos mais procurados por estudantes.
De acordo com o Inep, 48,3% das matrículas no ensino superior se
concentram em 10 graduações: administração, ciências biológicas,
ciências contábeis, direito, educação física, enfermagem, engenharia
civil, medicina, pedagogia e psicologia. A parcela de formaturas nesses
cursos é similar, com 48,7% dos concluintes sendo diplomados nessas
áreas.
No Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTE, a
pesquisadora responsável pelo levantamento, Thaís Barcellos pegou os
dados de contratação e de criação de vagas nos últimos três anos. Ainda
no MTE, ela consultou a Relação Anual de Informações Sociais (Rais),
para obter dados de remunerações nas carreiras.
A pesquisa analisou a remuneração média das 10 profissões em 2005, 2010
e em 2015. Nesse período, três carreiras apresentam os salários mais
altos: direito, engenharia civil e medicina. Em 2015, elas eram
remuneradas, em média, com R$ 10.763, R$ 8.963,31 e R$ 8.522,84,
respectivamente.
Remuneração média por carreira em 2005, 2010 e em 2015
Dados de trabalhadores celetistas e estatutários
Fonte: RAIS 2005, 2010 e 2015. Elaboração: IDados.
A evolução dos salários ao longo dos anos, no entanto, foi melhor em
outras carreiras. Os biólogos, que em 2005 ganhavam em média R$
2.212,94, registravam salários de R$ 4.877,86 uma década depois. "Esse
salto da biologia me surpreendeu muito. Em 2005, tinham mais biólogos
empregados do que em 2010, quando foi estabelecido um piso salarial como
o da engenharia. O salário aumentou bastante, mas a quantidade de
biólogos estatutários é menor. Talvez a profissão seja melhor
remunerada, mas se contrata menos", avalia a pesquisadora.
Outros cursos, como educação física, pedagogia e psicologia apresentam
salários com pouca variação ao longo dos anos. Oito das 10 carreiras
tiveram aumentos variados, mas educação física e administração tiveram
reduções salariais em relação a 2005. As contratações nas duas
carreiras, no entanto, aumentaram, entre 2015 e 2017, em 168% e em 201%,
respectivamente.
Empregabilidade
A promessa de um bom salário nem sempre é o que determina a escolha por
uma profissão: o número de contratações por carreira também é um
critério. O IDados analisou o número de vagas das 10 carreiras nos
primeiros trimestres de 2015, 2016 e de 2017, cruzando as contratações
com as demissões. Houve um aumento na criação de vagas neste ano, em
relação ao período anterior, em oito profissões: apenas ciências
contábeis e enfermagem demitiram mais do que contrataram no primeiro
trimestre de 201 em relação ao mesmo período de 2016.
A carreira que mais emprega, disparando na frente das outras, é
pedagogia: mesmo havendo redução ao longo dos três anos analisados,
16.228 novas pessoas foram contratadas no primeiro trimestre deste ano,
contra 1.890 novos profissionais de educação física, o segundo número na
lista. "Olhamos apenas para o início do ano, que é o período que tem
maior movimentação de vagas na área de pedagogia. Ainda assim, dá para
ver uma melhora no mercado. Os dados negativos estão ficando cada vez
menos negativos. É um dado relativamente estável", comenta a
pesquisadora.
Criação de vagas por carreira no 1º semestre de 2015, 2016 e 2017
Cruzamento de dados de demissões e contratações no período
Fonte: CAGED 2015,2016,2017. Elaboração: IDados
Em seguida, a pesquisadora cruzou os dados de salários iniciais com a
média de admissões, de janeiro a maio de 2017. A média nacional para
pessoas com ensino superior em início de carreira é de R$ 2.948,61. Os
números mostram que, apesar do altíssimo índice de contratações em
pedagogia, a média de salário inicial é das mais baixas, começando em R$
1.822,46. Atrás da carreira, fica apenas educação física, com salário
para recém-formados de, em média, R$ 1.642,21.
Com uma das taxas mais baixas de contratação, engenharia civil tem o
salário inicial mais alto da pesquisa: R$ 6.533,24. Embora o número de
formandos seja alto, a maioria não é contratada formalmente como
engenheiros, mas como analistas. "Pode ser que o candidato decida por
estudar alguma engenharia, que, apesar de contratar menos, tem salários
maiores", pondera Thaís.
Salário médio de admissão por carreira
Dados referentes ao 1º semestre de 2017
Fonte: RAIS 2017. Elaboração: IDados.
Crescimento
Por fim, a análise de dados levou em conta a progressão salarial ao
longo da carreira. Ao colocar os salários médios contra os iniciais do
ano de 2015, a pesquisa mostra que muitas profissões bastante visadas
não têm muita variação ao longo dos anos. É o caso de engenharia, que
apesar de ter um salário inicial alto em comparação com os outros
cursos, não tem uma progressão significativa: o valor médio da
remuneração na profissão é de R$ 8.963,31, contra os R$ 6.481,79
iniciais, registrados naquele ano.
"Engenharia tem um salário inicial muito alto, mas a remuneração média
não se altera muito. Acontece com medicina também, em que o profissional
começa a carreira ganhando bastante, mas não tem muita alteração.
Surpreendente é o direito, que tem um salário de admissão muito baixo,
mas no decorrer da carreira aumenta consideravelmente", avalia a
pesquisadora. A média inicial de direito era, em 2015, de R$ 3.646,86, e
a média total chega a R$ 10.763.
Salário de admissão versus remuneração média da carreira em 2015
Fonte: RAIS 2015. Elaboração: IDados.
Por Clara Campoli, G1





