Atrasos no pagamento dos funcionários já chegam há cinco meses e Sesau alega que espera recurso de emenda para quitar dívidas
Na semana passada, os serviços foram
paralisados no Hospital Geral de Roraima (HGR) em decorrência da falta
de resposta das empresas sobre a previsão de pagamento. Pela Lidan, que
fornece serviço de vigilância, os atrasos já duram cinco meses, enquanto
que pela Cometa, que realiza a limpeza do HGR, os atrasos entraram pelo
quarto mês consecutivo.
A Folha conversou com funcionários das
duas empresas, que relataram dificuldades financeiras para honrarem não
só a presença no local de trabalho, mas também com os compromissos do
dia a dia. “Eu moro de aluguel e o dono não quer saber se eu estou ou
não recebendo. Estou com os boletos todos atrasados numa bola de neve
sem fim”, disse uma funcionária, que não quis se identificar por medo de
represália.
Segundo ela, a empresa alega que espera o
repasse por parte da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) para pagar
os salários atrasados. A vigilância nas unidades de saúde, conforme a
funcionária, está comprometida porque muitos servidores não estão indo
trabalhar. “Não temos nem vale-transporte para virmos”, afirmou.
Outra trabalhadora, da empresa Cometa,
informou que está realizando, sozinha, a limpeza de vários blocos do
HGR. “Não tem outra pessoa, não tem funcionário para fazer a limpeza,
estamos fazendo mutirão, porque não dá para fazer a limpeza eficaz.
Muita gente não está vindo trabalhar, precisaria de pelo menos três
pessoas por bloco na limpeza”, explicou.
Além dos salários atrasados, os
servidores não receberam a primeira parcela do 13º salário. A previsão
era de que o pagamento saísse na semana passada, o que não aconteceu.
Questionados sobre as explicações das empresas para o atraso, as
funcionárias disseram que a direção de ambas culpa o Governo de Roraima,
que ainda não teria passado os valores.
EMPRESAS - A Folha
tentou por várias vezes ligar para os responsáveis pelas empresas Cometa
e Lidan, para saber se há previsão para liberação do pagamento aos
servidores, mas as ligações não foram atendidas. A equipe de reportagem
então foi até a sede das duas empresas, mas ninguém quis falar sobre o
assunto.
Para quitar dívida, governo diz que espera liberação de R$ 35 milhões
Por meio de nota, a Secretaria Estadual
de Saúde (Sesau) informou que diretores ligados à gestão de pessoal da
pasta se reuniram na semana passada com representantes de empresas
terceirizadas que atuam nas principais unidades de saúde do Estado. Na
ocasião, foi anunciado que a gestão irá regularizar os repasses devidos
deste ano até o fim do mês, colocando em dia o pagamento dos
trabalhadores terceirizados.
O secretário estadual de Saúde, Paulo
Linhares, explicou que a regularização ocorrerá assim que for liberada a
emenda da bancada de Roraima, no valor de R$ 35 milhões, cujo repasse
já foi autorizado pelo Governo Federal e deve ser efetivado em breve.
A Portaria nº 2.599, de 5 de outubro de
2017, já habilitou o Estado a receber os recursos para assistência de
média e alta complexidade e com isso, a expectativa é que o Governo
Federal libere este montante ainda neste mês. “Este recurso será
totalmente destinado para o custeio das principais unidades de saúde do
Estado”, destacou.
“Temos feito o possível para solucionar
essa questão e cientes da situação destes trabalhadores, nos
comprometemos a pagar não apenas um mês em atraso ou parcelar, mas sim
regularizar todos os repasses deste ano, fazendo o possível para manter
os próximos pagamentos em dia”, enfatizou o secretário.
Neste ano, os parlamentares da bancada
federal de Roraima pediram a destinação de cerca de R$ 70 milhões do
Orçamento da União de 2017 para que o Estado invista nas despesas
correntes da Saúde. No entanto, o valor inicial foi contingenciado pela
metade pelo Governo Federal, restando R$ 35,4 milhões.
Conforme a Sesau, a emenda permitirá
minimizar a falta de recursos com pessoal, materiais médico-hospitalares
e despesas com leitos de retaguarda, manutenção de equipamentos,
fornecimento de materiais e medicamentos.
“Este recurso é necessário, considerando
o aumento significativo na demanda e nos custos das ações e serviços
públicos de saúde. Além de atender à população residente, Roraima recebe
estrangeiros e indígenas, além de ficar distante dos principais
fornecedores de materiais e medicamentos, o que encarece os custos”,
frisou. (L.G.C)
Por Luan Guilherme Correia





