A espanhola Pilar Abel, que em 20 de julho fez o pintor surrealista Salvador Dalí ser exumado alegando ser sua filha, foi condenada a pagar os custos judiciais do processo.
Em sua decisão, de 13 de outubro, mas revelada apenas nesta segunda-feira (16), um juiz de Madri confirmou que os testes de DNA "permitem excluir Salvador Dalí como pai biológico de María Pilar Abel Martínez", uma vidente de 61 anos que afirmava ter nascido de uma breve relação de sua mãe com o famoso pintor.
O magistrado condenou a mulher a pagar os custos do processo, sem
especificar o valor, que pode ser muito elevado diante da dificuldade da
exumação.
Em um evento muito midiatizado, o gênio do surrealismo foi exumado 28
anos depois de sua morte do túmulo no qual jaz no Teatro-Museu de
Figueras. Tanto ele quanto a autora da ação nasceram nessa cidade
catalã.
Os peritos extraíram de seu corpo embalsamado pelos, unhas e dois longos ossos para comparar seu DNA com o de Pilar Abel.
Caso essa filiação tivesse sido confirmada, ela teria direito à quarta
parte do patrimônio de Dalí, pertencente em sua totalidade ao Estado
espanhol.
Durante todo processo, a Fundação Gala-Salvador Dalí criticou a decisão
judicial de exumar o corpo do pintor e apresentou um recurso que não
foi aceito.
A instituição insistiu em que toda a ação se baseava apenas na
declaração em cartório de uma mulher que assegurava conhecer o suposto
affair entre o artista e a mãe da vidente.
Famoso por obras como "A Persistência da Memória" e "O Grande
Masturbador", o pintor catalão morreu em Figueras em 23 de janeiro de
1989, aos 84 anos.
Deixou uma herança estimada em US$ 136 milhões (cerca de R$ 430
milhões), que incluía propriedades imobiliárias na Catalunha e centenas
de obras. Desde essa data, o montante aumentou com produtos derivados e
vendas de ingressos.
Durante décadas, Dalí compartilhou a sua vida com Gala, ex-companheira
do poeta francês Paul Éluard e musa que aparece em muitos de seus
quadros. Eles não tiveram filhos.






