Sete meses depois de as novas regras da Anac entrarem em vigor, bagagem é cobrada, mas preços continuam nas alturas
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| Consumidores afirmam que não sentiram nenhuma redução no valor das tarifas (Foto: Diane Sampaio) |
Apesar das novas
regras para a cobrança de bagagem nos voos nacionais e internacionais
estarem em vigor desde o fim de abril, o consumidor ainda vai demorar a
ver os preços das passagens baixarem, como prometiam a Agência Nacional
de Aviação Civil (Anac) e a Associação Brasileira de Empresas Aéreas
(Abear). Os valores das tarifas ainda continuam altos.
As líderes nacionais, Gol, Latam e Azul,
donas de mais de 70% do mercado doméstico, iniciaram cobrança de mala
despachada há alguns meses, mas recebem críticas por manterem o mesmo
número de tarifas e só mudarem a nomenclatura do bilhete mais barato
para indicar uma diferenciação.
Em alguns casos, a passagem, que deveria
ser mais vantajosa para quem não pretende despachar a mala, ficou mais
cara do que a anterior, sem contar que o passageiro ainda pagará os R$
30 por mala. Antes da mudança, por exemplo, era possível comprar um
bilhete com dois meses de antecedência – ida e volta Boa Vista/Fortaleza
– por cerca de R$ 1,550,00. Agora, o mesmo bilhete, para meados de
novembro e dezembro, custa no mínimo R$ 1, 998,00, sem contar a bagagem.
Por isso, é preciso pesquisar bastante antes de comprar.
De acordo com informações de empresas
áreas, a Anac não regula diretamente os valores de preços, mas faz o
acompanhamento permanente das tarifas comercializadas em todas as linhas
aéreas domésticas. No último relatório do órgão, de 2016, o valor
nominal cresceu 6,8% em relação ao anterior.
Apesar de usar metodologia diferente da
Anac, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
não deixam dúvidas sobre a inflação das passagens. No acumulado em 12
meses até junho, os bilhetes aéreos ficaram 21,26% mais caros, enquanto a
inflação oficial foi de apenas 3,52%. E, na média global, o país não
está no topo das passagens mais baratas.
A queda nos últimos anos na oferta de
voos contribui para que o preço não caia tão facilmente. As promoções
diminuíram este ano. Conforme empresas do segmento, de janeiro a maio, a
oferta caiu 2,9% e a demanda cresceu 2,2%. Até clientes de programas de
fidelidade sentem essa carestia das passagens, que acabam se refletindo
nas milhas, cada vez mais inflacionadas. “Somos clientes das companhias
aéreas e sentimos a agonia. Quando a oferta cai, o preço sobe e a
quantidade de milhas para emitir um bilhete também”, disse o professor
Marcos Pinheiro.
EMPRESAS - A Azul foi a
primeira a iniciar a cobrança da mala despachada e evita comentar as
diferenciações de preços, por serem “dados estratégicos”. A Gol informou
que, no primeiro trimestre deste ano, registrou queda de 6,5% nas
tarifas médias cobradas e o modelo de precificação é “dinâmico e varia
de acordo com a demanda e a oferta”.
A Latam diz que os valores promocionais
existem para todas as rotas e que estão disponíveis conforme a oferta e a
demanda, assim como com a época do ano, as conexões, entre outros
fatores. (E.S)






