Na semana passada, um comerciante foi encaminhado à delegacia por ter quebrado o meio-fio
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| Com a construção do meio-fio, quase metade das ruas são ocupadas com os carros que precisam estacionar, dificultando o tráfego na região (Foto: Hione Nunes) |
Comerciantes da
avenida Estrela Dalva, no bairro Raiar do Sol, zona oeste da capital,
estão insatisfeitos com a construção de meio-fio feita pela Prefeitura
de Boa Vista. As obras, segundo relatos colhidos pela Folha, estão
prejudicando a entrada de cadeirantes e o estacionamento dos clientes
nas lojas. Na semana passada, um lojista foi encaminhado à delegacia por
ter quebrado o meio-fio, a fim de dar acesso a veículos e cadeiras de
rodas à calçada da sua loja.
Segundo o comerciante Francisco Alves,
dono de uma loja na avenida Estrela Dalva há 10 anos, o trânsito na
localidade já é prejudicado pelo fato de a avenida ser estreita. Ele
explicou que nunca recebeu reclamação de pedestres, apesar de os
clientes utilizarem a calçada como estacionamento. Contudo, desde a
instalação do meio-fio, problemas de trânsito têm ocorrido
rotineiramente.
Alves relatou que os clientes não
estacionam mais na entrada da loja que fica em direção a avenida, tendo
em vista o fluxo de carros e caminhões de carga que passam pelo local.
Além disso, metade da rua lateral que pode ser utilizada para
estacionamento fica comprometida. “Os clientes têm dificuldades para
estacionar, porque dependendo do lugar que eles estacionem, eles
comprometem a passagem de um carro grande que vai dobrar, por exemplo”,
disse.
O comerciante frisou que reivindicou,
junto aos responsáveis municipais, que os clientes pudessem utilizar a
calçada lateral da loja, a fim de facilitar o tráfego. No entanto foi
informado pelos profissionais que o meio-fio já estava previsto nos
projetos e que não seria cancelado. De acordo com Alves, os condutores
estão enfrentando congestionamento na via com a falta de estacionamento,
principalmente durante os horários de pico.
Para o gerente de outra loja da avenida,
Valney Oliveira, a situação não é diferente. Responsável pela loja há
14 anos, ele pontuou que os clientes cadeirantes estão reclamando da
falta de acesso no local desde a construção do meio-fio, há cerca de
duas semanas. O gerente relatou que não sabe como vai administrar a
situação daqui para frente, apesar de ainda contar com o estacionamento
ao lado da avenida.
Oliveira destacou que a entrada da loja
que ganhou o meio-fio é a mais utilizada pelos caminhões para embarque e
desembarque de carga e pelos cadeirantes, por contar com a rampa de
acesso. No entanto, a construção impediu a passagem ao público
específico. “Eu pedi para que eles deixassem pelo menos a rampa, mas
eles disseram que não. Na semana passada tivemos que levantar uma
cliente para que ela entrasse, não consigo imaginar o que ela sentiu”,
contou. (A.G.G)
Cerca de 40 condutores são multados por mês por estacionar em calçadas
O engenheiro da Superintendência
Municipal de Trânsito (Smtran), Gilvan Santos, informou que o
estacionamento sobre passeio público, ou seja, nas calçadas, é
considerado uma infração grave, sujeito à aplicação de multa de R$
195,23. Além disso, o condutor perde cinco pontos na Carteira Nacional
de Habilitação (CNH). Por mês, ele relatou que são aplicadas cerca de 40
multas na capital.
Conforme Santos, toda a cidade passa
pelo tipo de problema. No entanto, ressaltou que o correto é estacionar
de forma paralela ao meio-fio. “Em hipótese alguma o estacionamento pode
ser feito em cima da calçada, que é de uso único e exclusivo do
pedestre”, frisou. O engenheiro ressaltou ainda que não é permitido
dividir a calçada com madeiras ou ferros, a fim de separar o
estacionamento de veículos com a passagem de pedestres.
Santos informou que qualquer obra feita
na área que compreenda a loja ao meio-fio, e que não for realizada pela
Prefeitura, é irregular. De acordo com o engenheiro, os comerciantes e
donos podem construir calçadas mediante uma autorização da Empresa
Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Emhur) e da Smtran,
desde que a execução ocorra conforme os padrões previstos pelo
município.
No caso dos comerciantes que dividem a
calçada, Santos informou que os clientes são punidos, tendo em vista que
a infração é cometida por eles. Segundo ele, há uma política de
desvalorização do cliente na capital, uma vez que o próprio cliente está
sujeito a ser notificado por conta de uma infração que o comerciante o
induziu a cometer. O engenheiro disse ainda que o condutor pode acionar
judicialmente o comerciante alegando que sofreu a penalidade porque foi
induzido a cometer o erro.
Em relação às rampas de acesso, o
engenheiro explicou que, nas localidades em que for constatada a rampa,
as devidas providências serão tomadas no sentido de deixar o acesso aos
cadeirantes. (A.G.G)
Por Ana Gabriela Gomes





