No ano de 2016, foram registrados 66 casos da doença. De janeiro a outubro de 2017, o número subiu para 241
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| Gerente do Núcleo de Controle de DST/Aids, José Aristides Viola: “O Estado vem atuando junto aos municípios para que eles reforcem as ações de prevenção”(Foto: Arquivo/Folha) |
A sífilis é uma
Doença Sexualmente Transmissível (DST) causada pela bactéria Treponema
pallidum, que geralmente é transmitida via contato sexual, entrando no
corpo humano através de pequenos cortes presentes na pele ou por
membranas mucosas. Dados da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (CGVS)
apontam que no ano de 2016 foram registrados 66 casos da doença em
Roraima. De janeiro a outubro de 2017, o número subiu para 241.
O gerente do Núcleo de Controle de
DST/Aids, José Aristides Viola, atribuiu o aumento dos casos de sífilis
ao desconhecimento da população sobre o tema. “O Estado vem atuando
junto aos municípios para que eles reforcem as ações de prevenção. Esse
serviço será intensificado até que haja uma queda nos dados, pois é
fundamental que as pessoas se protejam com o uso de preservativos",
explicou.
A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau)
informou que as ações de prevenção contra sífilis são de
responsabilidade dos municípios, enquanto o Estado possui a
responsabilidade de monitorar, dar apoio técnico e disponibilizar os
insumos de prevenção e materiais educativos. Os postos de saúde, pelo
Sistema Único de Saúde (SUS), ofertam testes rápidos para a sífilis.
Segundo a Sesau, no caso de o teste rápido apresentar resultado
positivo, uma nova amostra do paciente é coletada a fim que sejam feitos
testes laboratoriais que confirmem o diagnóstico. Se ele for positivo, a
pessoa realiza o tratamento nas unidades de saúde de Atenção Básica.
A sífilis pode se manifestar em três
estágios. No entanto, os maiores sintomas ocorrem nas duas primeiras
fases, período em que a doença é mais contagiosa. Os primeiros sintomas
da doença são pequenas feridas nos órgãos sexuais e caroços nas
virilhas, conhecidas por ínguas, que surgem entre sete e 20 dias após o
sexo desprotegido com alguém infectado. O terceiro estágio pode não
apresentar sintoma e, por isso, dá a falsa impressão de cura da doença,
que por conta desse fator é considerada silenciosa.
De acordo com a Sesau, as feridas e
ínguas dos primeiros sintomas não doem, não coçam, não ardem e não
apresentam pus. No entanto, ao alcançar certo estágio, podem surgir
manchas em várias partes do corpo, inclusive nas mãos e pés, e queda dos
cabelos. Após algum tempo, que varia de pessoa para pessoa, as manchas
também desaparecem, dando a ideia de melhora. A doença pode ficar
estacionada por meses ou anos, até o momento em que surgem complicações
graves como cegueira, paralisia, doença cerebral, problemas cardíacos e
morte.
CONGÊNITA – O
acompanhamento da mulher é importante durante a gestação para
diagnóstico precoce da doença. Caso a gestante contaminada não realize o
tratamento no decorrer da gravidez, o bebê pode contrair a chamada
sífilis congênita. A infecção é grave e pode causar má-formação do feto,
aborto ou morte do bebê, quando este nasce gravemente doente. Para
tanto, a Sesau pontuou que é importante fazer o teste para detectar a
doença durante o pré-natal e, quando o resultado é positivo, tratar
corretamente a mulher e o parceiro, tendo em vista que só assim é
possível evitar a transmissão da doença.
De acordo com a Sesau, a recomendação é
refazer o teste no 3º trimestre da gestação e repetir logo antes do
parto, na maternidade. Conforme o órgão, o maior problema da sífilis é
que, na maioria das vezes, as mulheres não sentem nada e só vão
descobrir a doença após o exame.
A manifestação da doença na criança pode
acontecer logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois
anos de vida da criança. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas
estão presentes já nos primeiros meses de vida. Ao nascer, a criança
pode ter pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados,
problemas ósseos, surdez ou deficiência mental. Em alguns casos, a
sífilis pode ser fatal. O diagnóstico da doença é feito por meio do
exame de sangue, que deve ser pedido no primeiro trimestre da gravidez.
Conforme os dados da CGVS, o ano mais
expressivo em relação ao número de casos congênitos foi 2016, com 55
registros em Boa Vista, que lidera o índice em relação aos demais
municípios. Este ano, 52 casos foram constatados na Capital até o
momento. Os dados mostram ainda que, a maioria das gestantes tem de 20 a
29 anos. Nos últimos cinco anos, 289 casos foram apresentados em
mulheres nessa faixa etária. Atrás do perfil estão as de 15 a 19 anos,
com 190 registros.
TRATAMENTO - Quando a
sífilis é detectada, o tratamento deve ser indicado por um profissional
da saúde e iniciado o mais rápido possível. Os parceiros também precisam
fazer o teste e ser tratados, para evitar uma nova infecção. No caso
das gestantes, é importante que o tratamento seja feito com a
penicilina, pois é o único medicamento capaz de tratar a mãe e o bebê.
Com qualquer outro remédio, o bebê não estará sendo tratado. Se a
criança tiver sífilis congênita, a recomendação é a internação para
tratamento durante 10 dias. Nesse caso, o parceiro também deve receber
tratamento para evitar a reinfecção da gestante e a internação do bebê.
(A.G.G)
Unidades de saúde disponibilizam tratamento aos casos identificados
A Prefeitura de Boa Vista informou que
tem trabalhado para ampliar e intensificar o diagnóstico precoce da
sífilis na Capital. Todas as unidades básicas de saúde disponibilizam o
Teste Rápido para identificar a doença, incluindo as unidades com
horário estendido, o que pode contribuir para a maior notificação de
casos.
Além do diagnóstico, as unidades
disponibilizam o tratamento dos casos identificados. No caso de
gestantes, a Prefeitura de Boa Vista afirmou que são ofertados todos os
testes sorológicos no pré-natal, como HIV, Sífilis e Hepatites, com o
intuito de evitar a transmissão vertical para o recém-nascido, ou seja, a
sífilis congênita.
Em relação a doença, o município conta
com oficinas de capacitação junto aos profissionais das unidades básicas
para identificação e acompanhamento clínico, testes rápidos e
aconselhamento tanto das mulheres como dos parceiros. O órgão garantiu
que ações de prevenção também são realizadas, como palestras educativas
rotineiras e o fornecimento de preservativos masculinos e femininos para
a população gratuitamente, tendo em vista que é a mais importante forma
de prevenção de Infecção Sexualmente Transmissível (IST). (A.G.G)
Por Ana Gabriela Gomes





