Uma das sociedades de oncologia mais influentes do mundo, a ASCO, exorta médicos a orientarem sobre os efeitos negativos que o consumo tem sobre a doença.
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| O consumo de álcool está associado diretamente e indiretamente ao aumento do risco de vários tipos de câncer (Foto: Marcelo Ikeda Tchelão/Pixabay) |
O uso de álcool, seja leve, moderado ou pesado, está associado ao
aumento do risco de vários tipos de câncer, incluindo os da mama, do
cólon, do esôfago, e da cabeça e do pescoço. É assim que começa um
informe de evidências sobre o uso de álcool e câncer de uma das
sociedades de oncologia mais influentes no mundo, a American Society of
Clinical Oncology (ASCO).
A orientação, divulgada essa semana, é importante porque coloca o
álcool como um fator de risco definitivo para o câncer, de forma
indireta ou indireta. Diretamente, a ASCO cita que cerca de 6% das
mortes no mundo estão associadas diretamente ao consumo de álcool.
Ainda, segundo a entidade, não só o consumo pode levar ao câncer, mas
também ele afeta negativamente o tratamento.
"As pessoas geralmente não associam beber cerveja, vinho e licor com o aumento do risco de desenvolver câncer em suas vidas", disse Bruce Johnson, presidente da ASCO, em nota. "No entanto, a ligação entre o aumento do consumo de álcool e o câncer está muito bem estabelecida", diz.
O estudo aponta que o etanol danifica o DNA de células saudáveis, o que
pode fazer com que elas cresçam desordenadamente, provocando tumores.
Também o acetaldeído -- produto da digestão do álcool -- contribui para
essa influência negativa do álcool no genoma.
No caso de mulheres, o álcool também contribui para o aumento da
quantidade de estrógeno no corpo -- o que é um fator de risco para
câncer de útero, ovário e mama. "Isso é particularmente importante para
mulheres adeptas de tratamento hormonal na menopausa", diz a ASCO.
O consumo de álcool também prejudica a absorção de vitaminas no corpo e
leva ao aumento de peso, fatores também associados a uma maior chance
de desenvolver câncer.
Em pesquisa sobre a percepção do americano sobre o câncer, a entidade
mostrou que apenas 38% deles estavam limitando sua ingestão de álcool
como forma de reduzir seu risco de câncer. No Brasil, pesquisa da
Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica mostrou
que o brasileiro desconhece fatores de risco comuns: como a obesidade, o
uso do cigarro e doenças sexualmente transmissíveis.
O relatório da ASCO também publicou diretrizes para contribuir para a diminuição do consumo de álcool:
- Limitar a venda em alguns horários e dias;
- Aumentar os impostos e o preço;
- Fiscalizar a aplicação da lei que proíbe a venda a menores de 18 anos;
- Restringir a exposição dos jovens à publicidade de bebidas alcoólicas;
- Incluir estratégias de controle de álcool em planos abrangentes de controle de câncer.
Por fim, a entidade também pediu o desencorajamento de que indústrias
de bebidas se engajem em campanhas de prevenção contra o câncer -- como,
por exemplo, o outubro rosa -- "já que o consumo de bebida está
associado a um risco aumentado do câncer, principalmente o de mama",
disse a entidade.
Por G1





