Servidores municipais vão realizar abordagens diárias nas sinaleiras da Capital para evitar a permanência de estrangeiros
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| Venezuelanos que comercializam produtos e realizam serviços estão sendo abordados (Foto: Hione Nunes) |
A Guarda Civil
Municipal (GCM) realizou, na manhã de ontem, 8, uma abordagem a
aproximadamente 40 venezuelanos que comercializavam produtos e limpavam
para-brisas de carro no sinal de trânsito localizado na Avenida
Venezuela, no bairro Mecejana. A Prefeitura de Boa Vista (PMBV) informou
que a abordagem foi feita conforme legislação vigente, que proíbe esse
tipo de prática por pessoas não autorizadas em ruas e avenidas da
cidade.
Os venezuelanos disseram à Folha que vão
resistir à ordem e continuar realizando seus trabalhos no semáforo. A
ação gerou polêmica, pois na abordagem as pessoas foram colocadas em
filas diante de um muro nas proximidades e revistadas pelos guardas. Não
há registros de presos ou conduzidos a nenhuma delegacia. Os produtos
que estavam sendo comercializados foram apreendidos.
O jovem Jordan Quintel, 23 anos, natural
de Caracas e que está no Brasil há seis meses, questionou a abordagem
dos guardas na hora da ação. “Este é o único meio de sobrevivência que
encontrei no Brasil até agora. Não vou morar na rua, tenho que pagar meu
aluguel e me alimentar. Esta água mineral que vendo foi comprada
honestamente, isso não é certo”, questionou o venezuelano.
A jovem Eduarda Rodolfo 20 anos, também
natural de Caracas e no Brasil há dois meses, disse que os guardas
realizaram a abordagem e depois anotaram os nomes das mulheres
informando que a Prefeitura iria “dar uma ajuda social para elas”. Ela
retrucou dizendo que todos querem trabalho, e não ajuda gratuita de
políticos.
PREFEITURA - A
Prefeitura de Boa Vista informou que a Guarda Municipal, a Secretaria
Municipal de Gestão Social e os fiscais da Empresa Municipal de
Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Emhur) realizam diariamente
abordagens a pessoas que não estão autorizadas, conforme o Código de
Postura do Município, a fazerem comércio e serviços em ruas e avenidas
da cidade, além de estarem causando insegurança no trânsito.
As ações têm como base o pedido da
própria população, que tem cobrado atos de retirada dos venezuelanos dos
semáforos e espaços públicos, onde muitos estão constrangendo as
pessoas a receberem os serviços e produtos, além de manterem crianças
nas calçadas pondo em risco à vida delas.
Frisou ainda, que tem se esforçado,
desde o primeiro momento, para auxiliar as famílias venezuelanas que
procuram ajuda em Boa Vista com ações em diversas áreas, como Educação e
Saúde. “O município aguarda um posicionamento do Governo Federal, com o
ordenamento da fronteira, abrigos e a interiorização dos migrantes
venezuelanos. No momento, eles têm à disposição o Centro de Referência
ao Imigrante, administrado pelo Governo do Estado, localizado no bairro
Pintolândia”, destacou. (E.S)
Por Folha Web





