Nos apenas 450 metros da Rua Bento Freitas, no Centro de São Paulo, aos
menos seis hotéis funcionam sem o Auto de Licença de Funcionamento
(ALF), da prefeitura, e sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros
(AVCB). Além dos hotéis, uma lanchonete, um bar e uma boate também estão
sem as licenças.
A região, no quadrilátero também formado pelas ruas Marquês de Itu e
Rego Freitas, tem grande movimentação de vida noturna, com bares e
boates. Durante a noite, principalmente aos finais de semana, garotos e
garotas de programa ficam nas calçadas. A maior parte dos hotéis da rua
são de baixo custo, a hora custa cerca de R$ 20, e o pernoite, R$ 50.
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| Balada funcionava às 11h da manhã desta quarta-feira (1º). Boate e hotel anexo não possuem Auto de Licença de Funcionamento (Foto: Paula Paiva Paulo/G1) |
O G1
revelou que ao menos seis casos do golpe “boa noite, Cinderela”
aconteceram na Rua Bento Freitas de janeiro de 2016 a agosto de 2017.
Quando o golpe aconteceu nos hotéis, a investigação policial encontrou
dificuldades ao se deparar com estabelecimentos que não possuem nem
controle de entrada e saída de hóspedes, nem câmeras que funcionem.
Em um desses hotéis irregulares, em abril deste ano, segundo boletim de
ocorrência da área do 77º Distrito Policial, um auxiliar de marketing
de 26 anos estava em um bar na Bento Freitas quando conheceu uma mulher.
Ele contou à polícia que tomou um energético e subiu para um quarto.
Após isso, o homem não se lembra do que aconteceu. A mulher fugiu com
sua carteira, pertences, e fez saques com seu cartão.
A irregularidade dos estabelecimentos não causa problemas apenas à
polícia. Um morador da rua que não quis se identificar disse que, aos
sábados e domingos, o local é “um inferno na terra”. “Prostituição,
balada sem isolamento acústico funcionando desde cedo, consumo e venda
de drogas a céu aberto, entre outros problemas”.
Uma comerciante que está há quase 20 anos na rua disse que nem sempre
foi assim, e que a Bento Freitas “decaiu” há cerca de dez anos. “Passou
de zona de luxo a boca do lixo”, comentou. Outros comerciantes também
reclamam que, nas manhãs após as baladas, as fachadas amanhecem sujas e
com urina.
A Prefeitura Regional da Sé informou que " já está prevista uma
operação de fiscalização nos estabelecimentos". A pasta disse ainda que
“constatadas as irregularidades, os proprietários podem sofrer sanções
conforme legislação vigente”. Sobre a falta do AVCB, dos bombeiros, a
corporação informou que a fiscalização cabe à Prefeitura.








