Vídeo acusa governo de 'comprar apoio político'; presidente regional do PSDB repetiu crítica ao G1. Em outubro, ex-governadora tucana Abadia assumiu nova Secretaria de Assuntos Estratégicos.
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| Deputado federal Izalci (PSDB-DF) em discurso na Câmara dos Deputados (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados/Divulgação) |
O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE) suspendeu,
nesta sexta-feira (10), a divulgação de uma propaganda partidária do
PSDB da capital que tecia críticas ao governo Rodrigo Rollemberg. A ação
foi movida pelo PSB, que disse ver "insinuações, ofensas e ataques que
maculam a imagem" do governador. Cabe recurso.
Na peça, o presidente do PSDB-DF e deputado federal Izalci Lucas
afirmava que Rollemberg "comprava apoio político usando dinheiro
público", e que Brasília "vive o pior governo de sua história". Dizia,
ainda, que "nós do PSDB não estamos à venda", em referência à suposta
compra de apoio.
Na decisão, a desembargadora eleitoral Sandra de Sanctis diz que esse
tipo de vídeo, divulgado fora do período eleitoral, tem objetivos
definidos pela Lei dos Partidos Políticos – difundir programa
partidário, divulgar a posição do partido em temas político-comunitários
e promover a participação política feminina.
"As increpações, decorrentes de acusações de compra de apoio político
com dinheiro público e de incompetência administrativa, podem, a meu
ver, ser injuriosas no contexto em que colocadas", diz a sentença. A
decisão não estabelece punição caso o vídeo volte a ser divulgado.
Em 11 de outubro, a Justiça Eleitoral do DF suspendeu outras propagandas consideradas ofensivas ao governo Rollemberg
– estas, elaboradas pelo PT regional. Nos vídeos, a presidente da
legenda e deputada federal Érika Kokay dizia que o governo local
maltratava servidores públicos, e que a situação no DF era de "total
abandono".
O G1 tentou
contato com a direção do PSB e com o advogado que representa o partido
em questões eleitorais, mas não obteve retorno nesta sexta.
Rollemberg e PSDB
Em entrevista ao G1,
Izalci repetiu as críticas feitas no programa partidário e acusou
Rollemberg de "assediar" filiados ao PSDB do DF, em busca de alianças
para 2018. Segundo ele, a criação da Secretaria de Assuntos Estratégicos
e a nomeação da ex-governadora tucana Maria de Lourdes Abadia foram
feitas à revelia da legenda.
"Ela [Abadia] já não estava participando do partido há algum tempo.
Quando o Raimundo [Ribeiro, atual deputado distrital pelo PPS] saiu do
partido, ela foi para o gabinete dele e continuou trabalhando com ele.
Estava praticamente afastada", diz o político.
Segundo Izalci, pessoas ligadas ao Buriti telefonaram para outros
filiados ao PSDB, em busca de nomes para compor a pasta de Abadia. A
ideia, diz, era enfraquecer o partido e uma possível candidatura do
presidente regional ao governo do DF, em 2018.
"Como o governador sabe que a minha candidatura pode dar trabalho, ele
quer cooptar o PSDB. Ele procurou o Tasso [Jereissati, senador do Ceará]
e o [governador de São Paulo Geraldo] Alckmin, mas eu já tinha alertado
a eles que haveria a movimentação", diz.
"Depois, me ligou pra dizer que tinha uma boa notícia, que me queria como vice em 2018. Disse que a única boa notícia que ele poderia me dar seria a renúncia".
Apesar da briga interna, Izalci diz que não planeja abrir processos de
expulsão do PSDB contra Abadia, ou contra correligionários que se
juntarem à base aliada. Segundo o deputado, o grupo "terá de pagar os
pecados dentro do partido, mesmo."
"A única certeza que tenho hoje, em relação a 2018, é que não faremos
aliança com Rollemberg. Com todos os outros partidos, estamos
conversando. Ele perdeu o PDT, perdeu o PSD, a Rede está saindo. O PSDB
sempre foi coadjuvante aqui no DF, e queremos ser protagonistas", disse
ao G1.
A briga do PSDB
A Secretaria de Assuntos Estratégicos foi criada no fim de outubro, e
anunciada por Rollemberg e Abadia com pompa e circunstância. Durante o
anúncio, Rollemberg evitou falar sobre as eleições do próximo ano, mas admitiu que a nomeação pode antecipar uma "possível aliança" para 2018.
O nome de Abadia é cogitado para a vice-governadoria na chapa de
reeleição, já que o atual vice, Renato Santana (PSD), não tem boa
relação com o chefe do Executivo.
Ao anunciar a adesão de Abadia ao governo, Rollemberg disse que o
secretário-geral do PSDB e governador e de São Paulo, Geraldo Alckmin,
aprovou a união. Como o vice de Alckmin, Márcio França, é filiado ao
PSB, uma chapa Rollemberg-Abadia repetiria a dobradinha de PSDB e PSB
que foi eleita no estado paulista.
Fundadora do tucanato no DF, Abadia passou os últimos dois anos
disputando o comando regional da sigla com o grupo de Izalci. No início
de outubro, o parlamentar foi mantido no comando do diretório local.
Hoje, o PSDB é representado na Câmara Legislativa por Robério Negreiros
– distrital que se aproximou de Abadia ao fazer oposição interna ao
grupo de Izalci. Hoje, os três são os únicos membros do PSDB local com
cargo de primeiro escalão.
Base em mutação
Nesta sexta, o PSD do vice-governador Renato Santana anunciou o
desembarque da base aliada de Rollemberg. Em resposta, o Buriti anunciou
a exoneração do secretário de Justiça Arthur Bernardes, vice-presidente
regional da legenda.
O anúncio aconteceu exatamente um mês após o desembarque do PDT, outro aliado
de primeira hora do governo Rollemberg desde a eleição, em 2015. A
decisão foi oficializada após um mês de "cisão", motivada pela reforma
da previdência dos servidores distritais e outras discordâncias em
projetos.
Por Mateus Rodrigues, G1 DF





