O cardeal americano Bernard Law, envolvido em um enorme escândalo de
padres pedófilos nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (20), aos 86
anos, anunciou o Vaticano.
No início de 2002, o cardeal Law, na época arcebispo de Boston,
reconheceu ter protegido um padre, Paul Shaney, contra o qual existiam
várias provas de abuso sexual contra crianças.
Após o escândalo, Law abandonou a arquidiocese de Boston, mas foi
nomeado arcipreste da basílica de Santa Maria Maggiore, cargo ligado à
Cúria Romana (governo do Vaticano). O sacerdote permaneceu no cargo até
2011.
Bernard Francis Law nasceu, em 1931, em Torreón, no México. Foi
ordenado sacerdote em 1961, e em 1973 tornou-se bispo de
Springfield-cape Girardeau, no Missouri, e em 1984 foi promovido a
arcebispo metropolitano de Boston. Em 1985, o papa João Paulo 2º o
nomeou cardeal.
Uma investigação do jornal "Boston Globe" revelou como a hierarquia da
Igreja Católica local, com o cardeal Law à frente, acobertou de forma
sistemática, e geralmente cínica, os abusos sexuais cometidos por quase
90 padres de Boston e seus arredores durante várias décadas.
A série de reportagens rendeu o prestigioso Prêmio Pulitzer ao jornal e
foi a base para o filme "Spotlight", vencedor do Oscar de melhor filme
em 2016.
Centenas de vítimas testemunharam sobre os abusos.
Após o escândalo vir à tona, Law se viu obrigado a apresentar sua
renúncia como arcebispo de Boston, mas João Paulo 2º o enviou para Roma e
o nomeou, em 2004, arcipreste da Basílica de Santa Maria Maggiore, uma
das mais importantes de Roma. O cardeal participou do conclave para que
elegeu o papa Bento 16 em 2005.
Law viveu seus últimos anos no Vaticano e nunca se prestou a
testemunhar perante a Justiça dos EUA, conforme solicitado, e não
concedeu nenhuma entrevista sobre o escândalo.
Por G1





