Um dissidente chinês foi condenado nesta terça-feira (26) a oito anos
de prisão, a sentença mais severa imposta a um defensor dos direitos
humanos desde a reeleição de Xi Jinping como presidente da China em
outubro.
Wu Gan, detido em maio de 2015 quando trabalhava em um escritório de
advocacia de Pequim, foi condenado por um tribunal da cidade de Tianjin
por tentativa de "subversão", afirmou à AFP seu advogado, Ge Yongxi, do
lado de fora do palácio de justiça, ao qual a imprensa estrangeira não
teve acesso.
A sentença parece ser a mais severa contra dissidentes na China desde
junho de 2016, quando dois membros do Partido Democrático chinês, Lu
Gengsong e Chen Shuqing, foram condenados, respectivamente, a 11 e 10
anos e meio de prisão pelo mesmo motivo.
Também é a maior condenação desde o Congresso do Partido Comunista Chinês,
quando o presidente Xi pediu a "defesa da autoridade do partido e do
sistema socialista chinês e a oposição categórica a qualquer palavra ou
ação que os abalem".
Wu Gan, de 44 anos, foi detido em 2015 durante uma série de prisões de
quase 200 advogados, juristas e ativistas que tratavam de casos
delicados. Muitos foram liberados, mas vários foram processados. Wu Gan é
agora o réu com a maior condenação do grupo de dissidentes conhecido
como "709".
Membro do grupo esteve incomunicável na prisão
Outro membro do grupo, o advogado Xie Yang, também foi condenado nesta
terça-feira por subversão por um tribunal de Shangsha, mas os juízes
decidiram suspender a pena por seu "arrependimento" e porque os crimes
não provocaram danos graves à sociedade, de acordo com um vídeo da
audiência divulgado na rede social Weibo.
Depois de permanecer incomunicável por seis meses, Xie Yang, por meio
de seus advogados, acusou a polícia chinesa de tortura, o que provocou
as críticas de vários países ocidentais no início do ano.
Xie Yang se retratou das acusações e se declarou culpado durante o
processo em maio. Nesta terça-feira, no tribunal, pediu desculpas por
ter induzido a opinião ao erro "sobre a questão da tortura".
Sua mulher e as duas filhas abandonaram a China clandestinamente no início do ano e se mudaram para os Estados Unidos.
Por France Presse





