O governo do Acre sancionou a lei nº 3.364, que cria o programa ‘Som da
Liberdade’, como forma de combater a violência entre os jovens do
estado. Publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (27), a lei
institui que os jovens devem receber cursos de música de forma gratuita.
O programa vai beneficiar não só jovens que cumprem medida
socioeducativa nos centros do estado, mas também jovens da comunidade
que queiram ter esse contato com a música. A medida deve ser implantada
em todos os centros.
No sistema socioeducativo, devem ser contemplados 10 alunos por turma e
as turmas da comunidade contemplarão no máximo 20 participantes por
turma, sendo distribuídas entre os socioeducandos em cumprimento de
medida de semiliberdade e os oriundos da comunidade e poderá incluir
ainda aqueles que estejam em Liberdade Assistida (LA) e Prestação de
Serviços à Comunidade (PSC).
E a lei surgiu de um projeto que já existe em Rio Branco. O Jornal do
Acre 2ª Edição desta quarta mostrou como o programa deve mudar a vida
daqueles jovens que, por algum motivo, acabaram se envolvendo no mundo
do crime. Como o filho do autônomo Richelme Oliveira.
O filho dele tem 17 anos e depois da perda da avó, há dois anos,
começou a seguir um caminho que não era o programado pelo pai.
“Pra família é sempre difícil, porque a gente pensa que nunca vai
passar por isso. Eu como pai sempre procurei ensinar o caminho correto
pra ele seguir. Eu nunca passei pela porta de uma delegacia. Enquanto
ele tiver lá dentro, tá sendo difícil porque a gente fica preocupado”,
desabafa.
O jovem foi um dos jovens finalistas do Festival Som da Liberdade, que
ocorreu nesta quarta. Ele acredita que a música deve mudar o caminho do
filho.
“Fico orgulhoso, porque ele nunca foi de participar desses eventos.
Depois que ele foi pra unidade, ele tem todo incentivo pra participar
desses eventos e se ressocializando. Estou ansioso para ver a
apresentação dele”, revela.
Uma jovem de 14 anos, que também cumpre medida socioeducativa, diz que a música a fez repensar suas atitudes.
“Minha vida mudou bastante. É uma grande oportunidade, porque, da
menina que eu era antes e que eu sou agora, isso mudou bastante.
Antigamente eu tinha um olhar muito ruim para as coisas, olhava o mundo
com outros olhares. Hoje eu sou uma pessoa calma, tranquila”, garante.
O concurso musical faz parte de um projeto do Instituto Socioeducativo
(ISE). Dos 150 jovens que participaram do concurso, 12 deles eram de
oito unidades socioeducativas que foram selecionados para participar da
final.
O vencedor vai poder gravar um CD com músicas autorais. Daqui para frente, o festival acontecerá uma vez por ano.
Por Mariana Areias, Jornal do Acre 2ª Edição, Rio Branco





