Após a rebelião que matou nove presos, o governador de Goiás, Marconi
Perillo (PSDB), pediu uma reunião, “imediatamente”, com a ministra
Cármen Lúcia, para discutir “ações de longo prazo” sobre o sistema
prisional no país. Em entrevista à Radio CBN nesta quinta-feira (4), o político disse que podem acontecer novos confrontos a qualquer momento.
“O que aconteceu agora em Goiás, pode acontecer a qualquer hora, em
qualquer Estado porque, como aumenta a população carcerária, os
presídios vão ficando cada vez menores, superlotados e para se construir
presídio novo é preciso dinheiro e tempo porque se gasta dois, três,
quatro anos”, disse o governador.
Além de presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra é presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O G1
entrou em contato com a assessoria de impresa do STF para saber se há
um posicionamento em relação ao pedido de Perillo e aguarda um
posicionamento.
Por sua vez, a assesoria do governador informou, em nota, que Perillo
telefonou para Cármen Lúcia e ela afirmou que marcará rapidamente o
encontro.
A rebelião dos presos na Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto
de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, ocorreu na
tarde de segunda-feira (1º) e durou cerca de duas horas. Presos
invadiram alas rivais por meio de um buraco feito na parede da cela, que
ficaram destruídas após a ação. Entre os nove mortos, um corpo já foi
identificado. Outros 14 dententos ficaram feridos.
Guerra de facções
Durante a entrevista, Perillo citou a guerra de facções criminosas, que
motivou o confronto em Goiás e causa o mesmo em outros locais. "Essas
facções estão se infiltrando em todos os estados, em todos os presídios.
É preciso que haja uma reação forte, coordenada, planejada que tenha
como coordenador principal o Departamento Penitenciário e o Ministério
da Justiça", defendeu.
Na na quarta-feira (3), o secretário de Segurança Pública e
Administração Penitenciária de Goiás, Ricardo Balestreri, havia dito ao G1 que presídios são comandados por criminosos.
"As facções criminosas comandam a maioria dos presídios brasileiros ou
tem grande influência. Os agentes tentam realizar o seu trabalho com
rigor, mas não têm instrumentos suficientes para isso", disse.
Fugas
A Superintendência de Administração Penitenciária (Seap) informou que,
por causa da confusão, cerca de 90 presos saíram da unidade e ficaram na
porta por questão de segurança, mas retornaram depois que a situação
foi normalizada. Outros 242 presos fugiram, sendo que 98 foram
recapturados até as 19h30 de quarta-feira (3).
Advogados de alguns dos presos que fugiram durante a rebelião
compareceram, na quarta-feira, à unidade prisional para negociar a
rendição dos clientes. Os defensores argumentaram que muitos deles
saíram do presídio por medo da situação, mas que querem voltar para
terminar de cumprir a pena.
Na ocasião, a Defensoria Pública de Goiás pediu um prazo para que os
foragidos se entreguem e cumpram prisão domiciliar por um período sem
penalidade e foi estabelecido limite de 72 horas para que os presos se
apresentem de volta na unidade.
"A Defensoria Pública vai aditar e fazer aditar um requerimento
judicial no sentido de que os apenados que estão evadidos nesse momento
tenham um prazo para retornarem ao sistema semiaberto sem que sofram
sanções disciplinares, até porque a evasão se deu em situação
extramemente excepcional", declarou o defensor público Rafael Starling.
![]() |
| Presos fazem rebelião na Colônia Agroindustrial em Aparecida de Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera) |
Dispensas de pernoite
O juiz Vitor França Dias Oliviera determinou, na quarta-feira, que os
presos que fazem trabalho externo da Colônia Agroindustrial do Regime
Semiaberto "estão dispensados de pernoitar e assinar o respectivo livro,
pelo prazo máximo de dez dias". Para viabilizar essa liberação, o
magistrado determinou que a Superintendência Executiva de Administração
Penitenciária (Seap) monitore os detentos por meio de tornozeleiras
eletrônicas nesse período.
O documento atende a um pedido do Ministério Público do Estado de Goiás
(MP-GO) e da Seap. Na decisão, o juiz destaca que, segundo a
Superintendência, "há possibilidade de novas ocorrências na Unidade
Prisional do Regime Semiaberto". O texto informa que "os presos do
galpão seriam os próximos alvos da rivalidade", portanto estariam
correndo perigo.
Por Paula Resende, G1 GO com informações da CBN






