Em entrevista ao G1, Pezão diz que gostou da ideia do projeto, mas prioridade é ‘pagar poderes’. Secretário havia vinculado projeto a pagamento do benefício.
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| Globocop flagra roubo de cargas no Complexo da Pedreira em dezembro; região terá que esperar por pagamento de benefício para aumento no combate ao crime (Foto: Reprodução / Tv Globo) |
A implantação de um novo planejamento de combate ao roubo de cargas, adiantada pelo secretário Roberto Sá ao G1,
está sem data. O governador Luiz Fernando Pezão admitiu que ainda não
possui data para o pagamento de benefícios atrasados, como o Regime
Adicional de Serviço (RAS) das Polícias, fundamental para o projeto da
pasta de segurança.
Ao G1,
Pezão disse que a ideia da secretaria é “ótima”, mas que a prioridade
atualmente é pagar os poderes (legislativo, executivo e judiciário) e
manter os salários em dia.
“Importante é pôr e manter os salários em dia, e com o aumento da arrecadação ir acertando essas dívidas”, explica Pezão.
Os recursos previstos (R$ 2,9 bilhões) no acordo com o Banco BNP
Paribas já foram depositados nas contas do governo. Foram pagos os
salários de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2016, além do 13o
de 2016. O de 2017 já foi pago, segundo o governo, a 202 mil
funcionários, faltando agora 140 mil a receber.
Projeto “ousado”

Roberto Sá espera pagamento de benefício para aumentar combate ao roubo de carga no RJ
A incerteza ocorre no momento em que as estatísticas chegaram a um
ponto alarmante: segundo dados do Instituto de Segurança Pública, os
roubos de carga aumentaram 200 % entre 2013, último ano em que houve
registro de queda em relação ao anterior, e 2017. Em 2013, foram
registrados 3534 roubos de carga. Em 2017, foram 10,6 mil.
A secretaria tem custo previsto total de R$ 3,3 milhões para
implementar módulos de combate ao roubo de cargas no Chapadão e
Pedreira, na Zona Norte; Salgueiro em São Gonçalo, na Baixada
Fluminense, no Complexo do Lins e um itinerante, que circularia por
pontos específicos do estado. O planejamento prevê até o uso de uma
aeronave para auxiliar os agentes em terra.
“Tão logo eu tenha acesso a algum recurso no RAS, esse plano pode ser
aplicado de forma modular ou na sua plenitude”, explicou Sá em
entrevista (veja vídeo). Só um módulo no Chapadão custaria R$ 400 mil, de acordo com o planejamento da pasta.
Todo o entorno das comunidades teria apoio da Delegacia de Repressão ao
Furto de Cargas (DRFC) e da Polícia Militar, e o programa pode até ser
dividido de acordo com a liberação de verbas.
“ O plano está pronto, e eu já tenho até o custo, e o custo por módulo.
Então, a medida que eu tiver acesso ao recurso, eu posso aplicar
Chapadão e Pedreira e Lins, ou aplicar um percentual lá em São Gonçalo.
Eu tenho a possibilidade de não aplicá-lo na sua integralidade e nem em
todos os lugares”, disse Sá.
Segundo o Instituto de Segurança Pública, o mês de dezembro de 2017 foi
recordista do ano, com 1153 casos. Nos primeiros 12 dias de 2018, foram registrados 281 casos, uma média de 23 por dia.
Por Henrique Coelho, G1 Rio





