A mobilização contou com a participação de cerca de 200 pessoas. Além dos salários, os trabalhadores querem explicações sobre descontos previdenciários
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| Mobilização de servidores reuniu cerca de 200 pessoas em frente ao Palácio do Governo (Foto: Nilzete Franco) |
Servidores públicos
estaduais e funcionários de empresas terceirizadas se reuniram na manhã
de ontem, 11, em frente ao Palácio Senador Hélio Campos, na Praça do
Centro Cívico, para cobrar esclarecimentos do Governo do Estado sobre o
anúncio de escalonamento dos salários referente ao mês de dezembro de
2017.
Iniciada às 8 horas, a mobilização foi
organizada pelas lideranças dos sindicatos dos Policiais Civil
(Sindpol), dos Trabalhadores em Educação (Sinter), dos Profissionais em
Enfermagem (Sindprer) e dos Fiscais de Tributos de Roraima (Sinfter). O
movimento contou com a participação de aproximadamente 200 pessoas.
“Grande parte dos servidores, acredito
que por volta de 70%, ficou sem receber os salários e o governo ontem,
em uma nota à imprensa, anunciou de forma não clara que esse pagamento
será feito de forma escalonada, quando ingressar receita no Estado. Ou
seja, sem planejamento nenhum, sem uma previsão exata de quando isso vai
ocorrer e isso é o que nós não concordamos”, afirmou o presidente do
Sinfter, Kardec Jakson.
Além da incerteza sobre a continuidade
do pagamento salarial, Kardec Jakson ressaltou ainda a preocupação dos
servidores em relação ao não repasse dos descontos previdenciários dos
trabalhadores. Segundo ele, as contribuições previdenciárias, bem como
as parcelas referentes a empréstimos que são descontadas mensalmente dos
salários dos servidores, não estão sendo repassadas ao Instituto de
Previdência do Estado (Iper) e às instituições financeiras pelo governo.
Como consequência, muitos já estão com os nomes inseridos em cadastros
de pessoas inadimplentes.
“Somente pelo fato de não estar
repassando os valores da contribuição previdenciária, o governo está
cometendo o crime de apropriação indébita, o que é muito grave. Muitos
pais de família estão passando por dificuldades por conta dessa falta de
planejamento. Se o Estado não adotar uma postura mais responsável e não
elencar suas prioridades, nós vamos ter parcelamento de salários ou até
mesmo ficar sem dinheiro nos próximos meses”, frisou.
O presidente do Sindpol, José Nilton
Pereira, destacou que, devido à falta de diálogo do governo, os
sindicatos estão finalizando uma representação criminal junto a
Procuradoria Geral da República por conta da retenção das contribuições
previdenciárias e das parcelas dos empréstimos que estão descontadas e
não estão sendo repassadas ao Iper e aos bancos. “A nossa preocupação
não é o depósito do salário, é essa inconstância com relação ao atraso
nos pagamentos. Não é apenas ter depositado e pronto, veio com atraso e o
Executivo tem que enfrentar esse problema de frente, não ficar refém
dos órgãos”, complementou.
Uma comissão formada por representantes
de algumas entidades sindicais esteve na quarta-feira, 10, na sede do
Governo Estadual, para buscar um diálogo com a governadora Suely Campos
(PP). Entretanto, devido a uma audiência de conciliação com os
presidentes do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RR), conselheiro Manoel
Dantas, da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), e com a prefeita
de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), o grupo acabou sendo atendido pelo
secretário Extraordinário de Gestão Institucional (Segabi), Frederico
Linhares.
GOVERNO – Ontem à
tarde, o salário de servidores efetivos de 12 pastas foi efetuado (ver
página 02A). Sobre os protestos dos servidores, bem como as alegações
dos sindicatos sobre o não repasse dos descontos previdenciários, o
secretário estadual de Planejamento, Haroldo Amoras, disse em entrevista
à Folha que não poderia dar esclarecimentos mais precisos por uma
questão que foge a atribuição da pasta. “Como essa é uma questão de
gestão exclusivamente financeira, eu não teria dados concretos para
justificar esse questionamento, justamente por não ser uma jurisdição da
Seplan. Então, o que eu disser não terá uma base de informações
precisas. Por isso, eu vou preferir não emitir qualquer comentário a
respeito”, pontuou. (M.L)
Agentes penitenciários anunciam paralisação
Por conta no atraso dos salários de
dezembro de 2017, os agentes penitenciários, por meio do Sindicato dos
Agentes Penitenciários de Roraima (Sindape-RR), anunciou que os
profissionais irão promover uma paralisação de 72 horas a partir do
meio-dia de hoje, 12.
Segundo a entidade, a manifestação
interromperá temporariamente banho de sol; visitas; entrega de
alimentação e pertences aos presos; liberação para trabalho; atendimento
aos advogados; atendimento aos oficiais de Justiça; liberação de presos
dos regimes aberto e semiaberto para visitação em domicílios;
assistências penais, educacionais, laborativas e religiosas; atendimento
a saúde, com exceção dos casos de urgência e emergência e recebimento
de presos.
SEJUC – Em nota, a
Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc) ressaltou a
importância da função de Agente Penitenciário para a segurança pública e
que, por esse motivo, a categoria deve comunicar qualquer paralisação
com pelo menos cinco dias de antecedência, o que não ocorreu. A Sejuc
destacou também que o Estado possui alternativas para garantir a ordem e
a segurança no sistema prisional, como o uso das forças policiais
militares e civis. (M.L)
Por Minervaldo Lopes





