A transexual Kerollayne Rodrigues, de 27 anos, que foi flagrada em um vídeo pulando em cima de um carro e danificando o para-brisa do veículo,
alega que foi vítima de homofobia ao ser agredida pelo dono do
automóvel, um comerciante de 28 anos, em Santos, no litoral de São
Paulo. Sete pessoas foram detidas, mas acabaram sendo liberadas horas
depois.
O G1 tentou contato com o motorista do carro para falar sobre o assunto, mas, até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
A confusão generalizada ocorreu na Rua João Pessoa, a mais importante
do Centro da cidade, na quinta-feira (18), e foi registrada em um vídeo
que viralizou na internet. Diante da confusão, cinco menores de idade,
três travestis e duas adolescentes, ajudaram a destruir e atear fogo ao
veículo, que ficou completamente destruído.
"Entendemos que houve um desentendimento entre o motorista do veículo e
a Kerollayne. Ele deu uma cabeçada nela na porta de um bar, e tudo
começou a partir daí. Por isso, os dois, que são maiores de idade, foram
enquadrados como vítimas e autores dos atos", informou a delegada Rita
de Cassia Garcia Mendez. Ainda no local, ao ouvir as primeiras
testemunhas, a polícia afirmou que a briga havia começado pelo fato do
rapaz não ter pago um programa.

Homem tem carro queimado no Centro de Santos
A autoridade policial é titular da Delegacia da Infância e Juventude
(Diju) de Santos, para onde o caso foi levado, em razão do envolvimento
de menores de 15 a 17 anos. "Duas vão responder por ato infracional, por
danificarem o veículo, conforme aparecem nas imagens. A que arrancou a
porta do veículo apenas utilizando o braço tem 17 anos", conta.
Para Kerollayne, entretanto, ela e as amigas foram vítimas de
homofobia. "Eu me senti um lixo com tudo isso. Nós estávamos no bar, nos
divertindo, pois tínhamos trabalhado à noite. Ele saiu do bar, começou a
me xingar de 'traveco' e me deu uma cabeçada. Eu não tenho sangue de
barata, então fiz o que fiz", contou.
Ela não se arrepende da atitude que tomou, e chegou a postar um
desabafo em uma rede social. "Você reconheceu que era eu em cima do
carro, né? Foi do babado. Eu subi ali pensando em destruir tudo mesmo.
Nunca tinha passado por isso. Minhas amigas botaram fogo depois. Ninguém
ali queria fazer programa com ele, não. Foi homofobia o que ele fez",
alegou.
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| Kerollayne publicou um desabafo na internet após a confusão no Centro de Santos, SP (Foto: Reprodução) |
Durante a confusão, o comerciante, que mora na cidade vizinha São
Vicente, fugiu do local. "Ele correu feito uma garça quando viu a
polícia chegando. Nós ficamos e fomos detidas em flagrante, mesmo.
Depois, ele apareceu na delegacia". Após prestarem depoimento, todos
foram liberados pela delegada.








