Líder do bando já cumpria pena e comandava as ações criminosas de dentro da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo
Bando usava o dinheiro do tráfico de drogas para adquirir bens, incluindo carros, casas e alvará de táxi (Foto: Antônio Carlos) |
Por meio de uma série de
investigações e diligências com o objetivo de desarticular uma
quadrilha que atuava no tráfico de drogas na Capital, a Polícia Civil,
por meio das equipes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e
Departamento de Narcóticos (Denarc), deram cumprimento a sete mandados
expedidos pela Justiça, sendo três de busca e apreensão domiciliar e
quatro de prisões temporárias, entre eles uma mulher.
Os mandados foram cumpridos nos bairros
Caranã e Buritis, na zona Oeste, e na Penitenciária Agrícola de Monte
Cristo (Pamc), na zona rural de Boa Vista, onde o líder do bando está
recolhido. Os integrantes da quadrilha são acusados de fazer lavagem de
dinheiro para uma facção criminosa que comanda o tráfico de drogas de
dentro da Pamc.
Segundo o delegado titular da DRE, João
Evangelista, a ação faz parte de uma série de diligências investigativas
que apuram o envolvimento de pessoas no tráfico de drogas, associação
para o tráfico de drogas e crimes conexos, dentre eles, organização
criminosa e lavagem de dinheiro.
A investigação ainda em curso foi
coordenada pelo Departamento de Narcóticos e auxiliada pelo GRT (Grupo
de Resposta Tática) em parceria com o Canil do Batalhão de Operações
Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar.
Durante as diligências foram encontradas
algumas provas das práticas criminosas, como comprovantes de depósitos
bancários, cartões magnéticos de contas correntes, anotações e
declarações sobre as transações do tráfico. A polícia já estava em posse
de outros documentos indicando batismos da organização criminosa,
placas, nomes, codinomes de presos e de pessoas envolvidas direta ou
indiretamente com o crime.
“O que a investigação vem apontando é
que diversos dos criminosos investigados têm uma forma precisa de
lavagem de dinheiro do tráfico. O branqueamento desse capital é feito
por meio da aquisição de imóveis, aquisição de carros, alvarás de táxi,
enfim, uma série de formas utilizadas pelos delinquentes para tentar
transformar dinheiro ilícito em dinheiro lícito. A polícia vem buscando
meios através das diligências produzidas dentro do inquérito,
solicitando cautelares da Justiça, prisões e buscas no sentido de
enriquecer a investigação”, disse Evangelista.
O delegado ressaltou que é cada vez mais
comum a prática de comando de crimes liderados por pessoas já presas e
internas em unidades prisionais espalhadas pelo país. Nas negociações,
os comandos podem ser recebidos de fora do Estado e que, em geral,
pessoas que estão dentro do sistema prisional são responsáveis por
mandar nos bandos. Evangelista disse que em Roraima não é diferente, uma
vez que uma das pessoas que foram presas tem uma relação próxima com a
organização criminosa.
A diretora do Denarc, delegada
Francilene Lima Hoffmann, explicou que o importante neste momento é
construir um conjunto de elementos de prova que contribua para a
comprovação das práticas criminosas e a consequente responsabilização
dos infratores. Ela disse que novas diligências podem ocorrer nos
próximos dias e que o trabalho da DRE/Denarc não se limita apenas à
apuração do tráfico de drogas, mas também ao esclarecimento de condutas
de “branqueamento” ou lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.
Todos os presos foram encaminhados ao
sistema prisional após os procedimentos previstos em lei e exame de
corpo de delito. O caso deve ter um desdobramento a partir das
investigações que ainda estão em curso, por este motivo a polícia não
revelou as identidades dos presos. (J.B)
Por João Barros