Os estudantes Lara Fleury e Hyago Marques, ambos de 14 anos, baleados
por um colega dentro do Colégio Goyases, em Goiânia, voltaram à escola
nesta terça-feira (31). As aulas do 8º ano, série que os feridos cursam,
recomeçaram nesta manhã. A sala onde foram disparados os tiros foi
transformada em um espaço de artes. Os pais que quiserem poderão
acompanhar os filhos dentro de sala de aula.
Eles ressaltam que os adolescentes ainda estão assustados, mas felizes
por retornar. "É um recomeço. A Lara ainda está meio insegura e com
coração apertado de rever os colegas, mas com fé que vai dar tudo certo e
feliz por retornar. Ela queria muito voltar à realidade porque esse
ambiente para ela sempre foi aconchego, amor e família. Senti que ela
queria romper a barreira do sofrimento", afirmou Lia Fleury, mãe de
Laura.
O crime aconteceu no fim da manhã do dia 20 de outubro,
em uma sala de aula do 8º ano do Colégio Goyases, no Conjunto Riviera,
em Goiânia. Os tiros foram disparados por um aluno da classe, de 14
anos, no intervalo entre duas aulas, que pegou a pistola .40 da mãe, que
é policial militar. O autor dos disparos foi apreendido e segue em um centro de internação.
Os alunos João Pedro Calembo e João Vitor Gomes,
ambos de 13 anos, morreram ainda no colégio. As outras duas estudantes
baleadas, Marcela Macedo e Isadora Morais, seguem internadas no Hospital
de Urgências de Goiânia. Segundo o boletim médico divulgado às 8h30
desta terça-feira (31), a primeira paciente tem quadro regular, está
consciente e respira espontaneamente.
Já Isadora permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em
estado regular, orientada, consciente, respirando de forma espontânea e
com auxílio de oxigênio. Os médicos constataram que Isadora ficou paraplégica após a vértebra ser atingida.
Recomeço
Lara chegou ainda com uma tipoia no braço atingido pelo disparo. A mãe
revelou que a filha vai passar por outras cirurgias de reconstituição,
mas ainda sem data marcada. O processo de recuperação está dentro do
esperado e ela deve começar acompanhamento psicológico com profissionais
da escola ainda nesta terça.
Os estudantes foram recebidos na portaria pela direção e pela equipe de psicólogos que acompanham o processo.
Pai do aluno João Pedro Laureano, de 13 anos, que cursa o 8º ano e
presenciou o crime, o vendedor Dorivan Laureano revelou que o filho
ainda está muito traumatizado, mas fez questão de voltar às aulas.
"Ele ainda está com um pouco de medo, é triste, mas a vida tem que
voltar ao normal. Ele ainda está um pouco abalado, não dorme bem, às
vezes fica assustado, escuta barulho de tiro e tem até que dormir na
minha cama. Mas tem que ter paciência com ele", afirmou.
Volta à rotina
As aulas das outras séries retornaram na segunda-feira (30). Os pais puderam ficar com os filhos dentro de sala de aula.
Um estudante de oito anos de idade levou um vaso com uma orquídea para a
diretora do colégio. "É para a Tia Rose, para agradecer porque voltaram
às aulas. Quero ver meus amigos e voltar à rotina de aulas", disse a
criança.
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| João Pedro Calembo (à esquerda) e João Vitor Gomes foram mortos a tiros em escola (Foto: Reprodução/TV Anhanguera) |
A mãe do menor que atirou no coletas prestou depoimento na segunda-feira (30) e, segundo a defesa da policial, explicou aos investigadores que mantinha a arma e a munição guardadas em locais diferentes.
"Não houve negligência, a arma ficava sempre em local seguro e não de fácil acesso", disse a advogada.
A sargento estava acompanhada do marido, que também é policial militar,
e da advogada. Após sair da sala do escrivão, a mãe não atendeu à
imprensa. A advogada explicou que a cliente ainda está muito abalada.
"Ela disse que também não tinha conhecimento sobre bullying, assim como
os professores. Que ele era um menino carinhoso e isso tudo foi um
choque para a família", afirmou Rosângela.
Investigação
Segundo o delegado Luiz Gonzaga Júnior, responsável pelo caso, o autor dos tiros disse que sofria bullying de um colega e, inspirado em massacres como o de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro, decidiu cometer o crime.
O adolescente foi ouvido pelo Juizado da Infância e Juventude na manhã
da sexta-feira (27). Ao lado dos pais, que também prestaram depoimento, ele disse que está arrependido pelo crime, segundo informou a advogada da família.








