A Delegacia de Atendimento ao Turista vai intimar um susposto
“informante” que atua na Rocinha e que seria consultado pela guia e pela
empresa de turismo sobre a “segurança pública” na comunidade, visando a
realização de passeios turísticos. Nesta segunda (23), durante um
desses passeios, a espanhola Maria Esperanza Ruiz Jímenez, de 67 anos,
levou um tiro no pescoço disparado por policiais durante uma blitz na
comunidade.
De acordo com a delegada Valéria Aragão, a pessoa que presta uma
espécie de consultoria de sergurança é um guia local, que mora na
comunidade. Segundo a polícia, quando questionado sobre a viabilidade do
passeio na comunidade nesta segunda, ele teria respondido: “Está tenso,
mas estou operando”.
A guia da empresa de turismo escolheu a favela e somente avisou aos
turistas quando já estavam a caminho da comunidade. De acordo com a
delegada titular da Deat, Valéria Aragão, os depoentes sabiam que
estavam em uma favela, mas acreditaram que, por ser pacificada, estariam
seguros na Rocinha. Segundo a delegada, o grupo relatou até se sentir
mais seguro por encontrar policiais patrulhando as ruas da comunidade.
"Eles sabiam que era uma comunidade, mas desconheciam que era uma área
conflagrada. Eles entendiam que seria um cenário, um território
tranquilo para eles vasculharem. Eles viram PMs circulando e por isso se
sentiram mais seguros. Quando era, na verdade, exatamente o contrário",
disse.
Prisão preventiva pedida
Na manhã desta terça (24), a Divisão de Homicídios da Capital pediu a
prisão preventiva do tenente Davi dos Santos Ribeiro, apontado como
autor do disparo que matou a turista espanhola. Na madrugada desta terça
(24), a DH ouviu os dois policiais militares envolvidos na ocorrência
que resultou na morte de Maria Esperanza, de 67 anos.
O tenente é lotado no 5°BPM (Praça da Harmonia) e estava cedido ao
23°BPM (Leblon) em virtude do reforço no policiamento da região desde
que começou a guerra na Rocinha. De acordo com a corporação, ele tem 30
anos e esta foi a primeira ocorrência de sua carreira que resultou na
morte de alguém. Ribeiro estava com outro oficial e um soldado, que deu
um tiro para o alto e responderá apenas pelo crime militar de disparo de
arma de fogo. A DH não autuou o soldado, nem pediu a sua prisão.
Por Henrique Coelho, G1 Rio





