Durante operação, policiais descobriram que um dos membros do grupo estava sendo julgado e que fatalmente seria morto
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| Material ilícito apreendido com membros da facção criminosa PCC (Foto: Nilzete Franco) |
Uma ação conjunta
desenvolvida na noite desta quarta-feira, 25, após investigações feitas
pelo 4º Distrito Policial, com apoio de agentes do 2º e do 5º DPs, além
do Grupo de Resposta Imediata (GRI) da Polícia Civil, resultou na prisão
de nove indivíduos que pertencem à Organização Criminosa do Primeiro
Comando da Capital (PCC). Eles estavam em posse de arma de fogo, drogas,
celulares e dinheiro. Dentre os integrantes do bando estava um
adolescente. A polícia não divulgou o local das prisões para não
atrapalhar o andamento das ações.
O delegado titular do 4º DP, Fernando
Olegário, convocou a imprensa, na tarde de ontem, para esclarecer como
se deu a ocorrência. “Todos sabem que alguns bairros da zona oeste estão
sendo mapeados por organizações criminosas. Uns pelo PCC e outros pelo
Comando Vermelho e Família do Norte [CV/FDN]. Então a gente vem fazendo
esse trabalho faz um tempo e eles não são os primeiros que conseguimos
prender. Nós já fizemos outras prisões semelhantes a essa”, frisou.
Enquanto iniciavam a abordagem aos
primeiros quatro indivíduos presos, o caso ganhou desdobramento, por
isso tiveram que pedir apoio para dar continuidade às diligências. “No
momento da prisão de quatro membros do PCC por tráfico de drogas, porque
estavam sendo responsáveis pela distribuição em vários bairros na zona
oeste, um deles recebeu a ligação de outro membro do PCC, chamando para
uma reunião reservada, onde estava acontecendo o julgamento de um dos
membros da facção”, explicou Olegário.
A autoridade policial revelou que as
razões do julgamento deram-se porque a família do membro da facção que
estava sendo julgado deu apoio ao velório de um indivíduo que havia sido
assassinado dois meses atrás e que era membro do Comando Vermelho. “Os
cabeças do PCC acharam que ele estava traindo a organização criminosa e
estava sendo julgado nessa hora e possivelmente iria ser morto. Isso foi
comprovado através dos interrogatórios. Eles confessaram que matariam o
membro”, ressaltou.
Depois de testemunharem o traficante
recebendo a ligação na qual era intimado a participar do julgamento, os
policiais deixaram a casa onde a droga foi localizada e seguiram para o
local do julgamento, onde foram presos mais cinco elementos. Um dos que
estavam na casa é adolescente, que tentou fugir. Aproveitando que uma
jovem passava na rua de bicicleta, ele subiu na garupa, colocando a arma
na cintura e o casaco por cima para tentar ludibriar os policiais. Mas
os agentes conseguiram localizá-lo e prendê-lo.
A arma usada para coagir o “réu do
julgamento” do PCC foi apreendida juntamente com drogas (cocaína e
skunk), revólver calibre 38, além R$ 70 em dinheiro trocado e celulares
com várias mensagens em que combinavam negociações do tráfico de drogas e
futuros assaltos.
Os nove integrantes da quadrilha foram
conduzidos à delegacia, onde foram submetidos a um interrogatório
minucioso. “Com muito cuidado, para não deixar escapar nenhum detalhe,
eles confessaram toda a ação criminosa, tanto a questão do tráfico de
drogas como o julgamento. Contaram com riqueza de detalhes”, salientou o
delegado.
A quadrilha foi encaminhada para
audiência de custódia na manhã de ontem e a Justiça decidiu converter o
flagrante em prisão preventiva. Todos os envolvidos foram encaminhados
para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc) e o menor para o
Centro Socioeducativo (CSE).
Um dos bandidos estava foragido desde o
dia 12 deste mês, quando foi concedido a ele o benefício da saída
temporária para passar o Dia das Crianças em casa e não retornou mais.
Os outros tinham passagem pelo CSE quando eram menores. Eles têm idades
entre 18 e 23 anos e estão envolvidos em crimes de roubo, tráfico de
drogas e assassinatos.
O elemento que estava sendo julgado
pelos membros da facção não foi preso, porque, segundo o delegado,
naquela ocasião ele estava como vítima, por isso não foi flagrado em
delito, como os demais. (J.B)
Por João Barros





