Relatório 'Situação da População Mundial 2017' ressalta que desigualdade na saúde e na garantia de direitos sexuais e reprodutivos afeta paz e desenvolvimento econômico globais.
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| Mulheres estudam menos, ganham menos e têm mais probabilidade de ficarem desempregadas, aponta relatório da ONU (Foto: StockSnap/Creative Commons) |
O aumento das desigualdades e falhas na proteção dos direitos das
mulheres, em especial as mais pobres, são grandes ameaças ao cumprimento
dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, de acordo com o novo
relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), divulgado
mundialmente nesta terça (17).
Em mais de 140 países analisados, as mulheres enfrentam desigualdade
não apenas financeira, mas especialmente na saúde e na garantia de
direitos sexuais e reprodutivos, o que acarreta consequências em
praticamente todos os sentidos.
De acordo com as conclusões do relatório, intitulado “Mundos Distantes:
Saúde e direitos reprodutivos em uma era de desigualdade”, a situação
enfraquece o progresso dos países e ameaça inclusive a paz e o
desenvolvimento econômico global.
A demanda de planejamento reprodutivo não atendida nos países em
desenvolvimento afasta mulheres do mercado de trabalho e reduz seus
rendimentos. Entre os dados apontados, é verificado que, em pelo menos
34 países, a disparidade aumentou entre 2008 e 2013, com a renda dos 60%
mais ricos da população crescendo mais rapidamente do que a dos 40% nas
camadas inferiores. Além disso, dos 142 países cobertos pelo índice em
2016, em 68 a disparidade de gênero se mostrou maior que a do ano
anterior.
As mulheres têm ainda mais probabilidade de ficarem desempregadas do
que os homens. No mundo todo, 6,2% das mulheres estão desempregadas, em
comparação aos 5,5% dos homens. As maiores diferenças no desemprego de
homens e mulheres estão no norte da África e nos Estados Árabes. Nas
duas regiões a taxa de desemprego de mulheres jovens (44%) é quase o
dobro da taxa para homens jovens.
Outro fator apontado é que, globalmente, mulheres ganham 77% do que os
homens ganham, e se as tendências atuais continuarem, levará mais de 70
anos até que a disparidade de salário por gênero seja eliminada.
Também na educação, que pode levar a melhores condições de trabalho e
desenvolvimento econômico - pessoas analfabetas ganham até 42% a menos
que suas contrapartes alfabetizadas -, mulheres sofrem desvantagem: da
população mundial estimada de 758 milhões de adultos analfabetos, cerca
de 479 milhões são mulheres e 279 milhões são homens.
Outro aspecto negativo é a questão da proteção. Quarenta e seis das 173
economias analisadas em um relatório do Banco Mundial em 2015 não
tinham qualquer lei contra violência doméstica, enquanto 41 não tinham
leis sobre assédio sexual.
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| Estender assistência pré-natal e materna essencial às mulheres mais pobres e atender a demanda de planejamento reprodutivo estão entre recomendações da ONU (Foto: Sanjasy/Creative Commons) |
Em suas conclusões, o relatório propõe 10 ações para um mundo mais
igualitário, incluindo cumprir compromissos e obrigações com direitos
humanos de tratados e convenções internacionais, derrubar leis e normas
discriminatórias e que possam impedir que mulheres tenham acesso a
informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva, estender
assistência pré-natal e materna essencial às mulheres mais pobres e
atender a demanda de planejamento reprodutivo.
Outras medidas indicadas são oferecer garantia de renda básica e
serviços essenciais, inclusive relacionados à maternidade, eliminar
obstáculos econômicos, sociais e geográficos ao acesso de ensino para
meninas e mulheres, acelerar transição de empregos informais para
formais e eliminar situações de desigualdade através de políticas
públicas, entre outras.
Por G1






