Dados que serão apresentados nesta quarta-feira (31) em evento mundial sobre hepatite em São Paulo mostram que nove países reúnem condições para eliminar a doença.
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| Testes para detectar a hepatite C no Brasil; país se comprometeu a expandir o tratamento de ação direta (Foto: Giovana Valle/ Projeto Hepatite Zero) |
Nove países, entre eles o Brasil, estão qualificados para eliminar a
hepatite C até 2030, segundo dados do Observatório Polaris que serão
divulgados nesta quarta-feira (1) em evento em São Paulo. Além do
Brasil, Austrália, Egito, Geórgia, Alemanha, Islândia, Japão, Holanda e
Catar estão dentre os países que caminham rumo à eliminação da doença
nos próximos anos.
O Observatório Polaris é uma iniciativa do CDA Foundation, ONG
americana criada para acelerar metas globais para a eliminação da
hepatite B e C. Segundo a ONG, esses países se comprometeram com a
expansão de medicamentos de ação direta, aqueles que atuam diretamente
na replicação do vírus -- com uma taxa de cura que pode chegar a 98%.
Esses medicamentos trouxeram a esperança de que a eliminação da
hepatite seja uma possibilidade real -- mais de 30 mil pacientes com
hepatite C foram tratados e curados em 2016, informa o documento. No
Brasil, esses novos compostos passaram a ser oferecidos em 2015, mas com
restrições.
Agora, o documento informa que o Ministério da Saúde do Brasil se
comprometeu a tratar todas as pessoas com hepatite C em qualquer fase da
doença -- o que vai ajudar o país a atingir a eliminação. Hoje, apenas
pacientes com maiores danos ao fígado são elegíveis a esses
medicamentos. A nova diretriz, com a expansão do tratamento, deve entrar
em vigor em 2018.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que há 657 mil
pessoas no Brasil com infecção por hepatite C. O Ministério da Saúde
informou ter por meta tratar 50 mil pacientes com hepatite C por ano. O
país também planeja apresentar novas iniciativas para testar o máximo de
pacientes.
Trabalho inovador
O documento informa que esses noves países apresentam trabalhos
inovadores no combate à hepatite. Além da expansão do tratamento no
Brasil, o país também oferece vacinas de hepatite B para toda a
população.
Também o documento cita políticas inovadoras no Egito, que deve testar
30 milhões de pessoas para a doença até 2018, com iniciativas de triagem
em massa. O país também produziu versões genéricas para os tratamentos
mais modernos para a hepatite e expandiu o acesso.
A Austrália também concedeu acesso universal para pacientes de hepatite
C, com um investimento de US$ 1 bilhão ao longo de cinco anos.
O documento informa que, apesar dos avanços nesses países, nem todo o
mundo está avançando no combate à doença -- com alguns deles sem sequer
terem dados precisos sobre a incidência da doença na população. Além
disso, informa o relatório, há escassez de financiamento, falta de
acesso a diagnósticos e de medicamentos.
A hepatite no mundo
As hepatites virais matam mais de 1 milhão de pessoas todos os anos – e
mais de 300 milhões de pessoas estão cronicamente infectadas pelas
hepatites B ou C, informa o documento. Esses dados, no entanto, podem
ser ainda maiores -- já que cerca de 80% dos pacientes com hepatite C
não foram diagnosticados, segundo dados da World Hepatitis Alliance,
aliança mundial de combate à hepatite.
Em 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou metas globais
para a doença que incluíam uma redução de 90% nas novas infecções por
hepatites B e C e uma redução de 65% na mortalidade relacionada às
hepatites B e C até 2030.
O Brasil é anfitrião de evento sobre hepatite que reúne, entre os dias 1
e 3 de novembro, uma audiência global de grupos da sociedade civil e da
Organização Mundial da Saúde. Ao todo, cerca de 249 membros
internacionais, entre cientistas, gestores e autoridades de saúde
pública comparecerão ao evento para debater e promover resposta às
hepatites virais.
Por G1





