'Em algum lugar alguma coisa está sendo autorizada informalmente', diz Torquato Jardim. Segundo ele, há dados oficiais do estado que comprovam o envolvimento de policiais em postos de comando com o crime organizado.
![]() |
| O ministro da Justiça, Torquato Jardim, participa de cerimônia pelo Dia do Aviador (Foto: José Cruz/Agência Brasil) |
O ministro da Justiça, Torquato Jardim, voltou a fazer críticas à
política de segurança pública do Rio de Janeiro e desafiou as
autoridades fluminenses a provarem que ele está errado sobre as conexões
de comandantes da PM do Rio e o crime organizado. Em entrevista ao jornal O Globo, Torquato afirmou que, toda uma linha de comando que precisa ser investigada, está sendo analisada.
“Nós temos informação: R$ 10 milhões por semana na Rocinha com gato de
energia elétrica, TV a cabo, controle da distribuição de gás e o
narcotráfico. Em um espaço geográfico pequeno. Você tem um batalhão, uma
UPP lá. Como aquilo tudo acontece sem conhecimento das autoridades?
Como passa na informalidade? Em algum lugar, voltamos à Tropa de Elite 1
e 2. Em algum lugar alguma coisa está sendo autorizada informalmente”,
afirmou o ministro.
De acordo com ele, embora as investigações da inteligência federal não
se voltem para condutas individuais ou batalhões específicos, os dados
apontam a necessidade de apurar "toda uma linha de comando". Ele ainda
rebateu a declaração de Luiz Fernando Pezão de que nunca conversou com o
ministro sobre o tema, dizendo que tem "melhor memória" que o
governador do Rio.
Sobre a associação de policiais em postos de comando com o crime
organizado, Torquato voltou a afirmar que ela existe e que há dados
oficiais do estado que comprovam isso. “Existe um serviço de
inteligência sobre tudo que eu falo. Todo serviço de inteligência é
sigiloso. Você não pode dizer quem, quando, como”, destacou.
Contudo, o ministro diz que apesar das acusações, a parceria com o Rio é
fundamental. “A parceria é necessária, inequívoca. Não há solução
alguma para o Rio de Janeiro fora de uma estreita parceria entre a União
e o estado”, garante.
Sobre a morte do comandante do batalhão do Méier, coronel Luiz Gustavo
Teixeira, na semana passada, o ministro voltou a questionar a motivação
confirmada pela polícia. “Disseram que ele estava fardado, num carro
descaracterizado. Ou seja, um veículo de operação secreta ou informal.
Se fosse um assalto eventual de arrastão, haveria tanto tiro de calibre
pesado? Se vai assaltar um carro para tirar a carteira de um motorista,
você não usa tanto chumbo, tanta munição. Perguntei a quem de direito:
'e aí, é realmente'? Vamos ver, quero ver.”.
O ministro ainda mencionou o fato do chefe da Polícia Civil e do
Secretário de Segurança terem dito, segundo ele, que podiam operar sem
as Forças Armadas. “Eles revelaram a vontade do governador do Estado?
Não sei. Eles revelaram uma avaliação oficial para dizer que bastava dar
o dinheiro que eles faziam o resto? Eles nunca responderam isso. Estou
fazendo minha avaliação também de forma informal. Não cabe ao governo
federal emitir juízo sobre o governo estadual. Agora o agente governo
federal, com a experiência que tem e com os fatos que conhece, não se
sente intimidado a não fazer comentários”, disse Torquato.
Nesta terça (31), deputados que integram a Comissão de Segurança
Pública da Alerj decidiram enviar representação à procuradora-geral da
República, Raquel Dodge, para que seja aberta investigação acerca das
declarações do ministro da Justiça, Torquato Jardim, sobre a segurança
no RJ.
Em texto publicado no UOL pelo jornalista Josias de Souza,
Jardim afirmou que a segurança do RJ envolve acertos com o crime
organizado. Ainda segundo o ministro, os comandos de batalhões da PM são
indicados por deputados estaduais.
Por G1 Rio





