A Coordenação de Assuntos Internos da Corregedoria da Polícia Federal,
em Brasília, prendeu, na sexta-feira (15), o agente federal Paulo Sérgio
Nascimento. O policial é suspeito de contrabandear equipamentos
eletrônicos do exterior para o Brasil. A porta de entrada era o
aeroporto internacional Tom Jobim, Galeão. Além do agente, outros dois
policiais, lotados na Delegacia da PF no aeroporto, respondem a processo
por atuar no esquema de trazer irregularmente ao país computadores,
iPhones e até cabelo.
De acordo com as investigações das equipes da corregedoria, os
policiais não transportavam os equipamentos. Os três agentes abriam
portas ou indicavam caminhos que os suspeitos de contrabando deveriam
seguir dentro do aeroporto para burlar a fiscalização. Em alguns casos,
os policiais suspeitos iam buscar os "mulas" logo depois que eles
desciam das aeronaves para escoltá-los até a saída do Galeão.
Nesta semana, na terça-feira (19), a Polícia Federal realizou o que
chamou da maior operação de combate à corrupção no aeroporto
internacional. Até a noite desta quarta-feira (20), 29 pessoas haviam
sido presas suspeitas de tráfico de drogas e contrabando.
A ação desta semana nada tem a ver com o trabalho que a Corregedoria da
Polícia Federal tem feito no aeroporto. Quando Paulo Sérgio foi preso
faltavam dez dias para ele se aposentar. A investigação descobriu que o
agente auxiliou na entrada irregular no país de 270 placas de memória de
computador, oito iPhones, dois notebooks e cinco aparelhos de
endoscopia. Os produtos foram trazidos, de acordo com as investigações,
por Marco Antônio Moura Simão.
Na quarta-feira (20), o advogado do agente Paulo Sérgio conseguiu uma
liminar na Justiça para retirá-lo da prisão e responder o processo em
liberdade. Procurado, o advogado Lucas Moreira não retornou ao contato
do G1. O advogado Guilherme Rocha, que defendia Marco
Simão, abandonou o caso. Um novo defensor não foi cadastrado no processo
na Justiça Federal até o momento.
Dois irmãos e o contrabando
As investigações da Coordenação de Assuntos Internos da PF também
descobriu dois irmãos, policiais federais, lotados no aeroporto Tom
Jobim e envolvidos com o contrabando. Em março deste ano, o agente Nilton dos Santos Silva foi preso ao facilitar a entrada no país de cabelo humano vindo da China.
De acordo com os investigadores, o agente Nilton dos Santos Silva,
lotado no próprio Aeroporto do Galeão, utilizava os benefícios de suas
funções e o trânsito livre no aeroporto, para inserir no mercado interno
de cabelos importados da China.
As investigações mostram que, Nilton Silva viajou, pelo menos, seis
vezes à China. O policial foi preso quando chegava de viagem. Ele
repassou as duas malas a quem os investigadores acreditam ser o seu
sócio, Luiz Pinheiro Franco Júnior. Ambos foram presos junto com um
policial militar. O nome do PM não foi revelado. O policial faria a
escolta de Luiz e da bagagem.
As malas com os cabelos foram passadas ao PM por uma porta de uso
exclusivo da Polícia Federal. Após isso, o agente Nilton Silva iria
assumir o seu plantão no aeroporto, mas foi impedido pelos
investigadores da Corregedoria da PF. No processo que tramita na Justiça
Federal do Rio, os agentes da corregedoria acreditam que Nilton tenha
participação em uma loja de cabelos em Niterói, na Região Metropolitana
do Rio.
Documentos juntados ao processo pelo Ministério Público Federal apontam
para a existência de um verdadeiro esquema de favorecimento ao
contrabando e descaminho no âmbito do aeroporto internacional do Rio de
Janeiro. De acordo com o MPF, a "dinâmica em tudo se assemelha aos fatos
em tese praticados pelos presos".
Passados seis meses, o irmão de Nilton, Luciano, também agente federal
foi afastado da Delegacia da PF no aeroporto. Sua prima foi detida com
contrabando. Seu nome apareceu nas análises dos agentes e em depoimentos
de envolvidos. Ele teria colaborado com o esquema em, pelo menos, duas
vezes. Como a atuação de Luciano não ficou consistente, o agente foi
apenas afastado do cargo.
O G1
não encontrou as defesas dos irmãos/agentes federais Nilton e Luciano.
No processo na Justiça Federal, os advogados de Nilton alegam o seu
cliente "é portador de doença crônica que pode resultar em câncer
intestinal, caso não sejam oferecidos tratamento especializado e
medicações regulares. Sua condição médica o deixa vulnerável à
insalubridade ambiente, podendo lhe causar grave infecção e colocando
sua vida em risco". Assim, seus defensores defenderam a liberdade do
acusado que responde em liberdade.
Maior operação do Galeão
Na operação desta terça-feira (19), a PF prendeu, até a noite desta
quarta-feira (20), 29 pessoas. Ao todo foram expedidos 36 mandados de
prisão e um mandado de condução coercitiva contra funcionários que
trabalham dentro do aeroporto, incluindo empregados da Receita Federal. Segundo a polícia, esta é a maior operação realizada no Galeão.
A investigação sobre a "Máfia do Galeão" começou em fevereiro deste
ano, quando a PF descobriu que uma mala foi despachada do Rio de Janeiro
em um voo para Amsterdam, mas em nome de um casal que voou para
Salvador. A mala foi devolvida para o Galeão e, ao passar pelo raio X,
foram descobertos 37 quilos de cocaína. A polícia apreendeu ainda US$
886 mil dólares e nove carros de luxo.
![]() |
| PF apreende 886 mil dólares com integrantes da Máfia do Galeão (Foto: Divulgação/PF) |
Não foi apenas contrabando que a PF descobriu de irregular no aeroporto do Galeão.
Em junho, policiais da Delegacia Especializada em Armas, Munições e
Explosivos (Desarme) e da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC),
apreenderam, nesta quinta-feira (1), 60 fuzis de guerra, no Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. A informação é da Polícia Civil do Rio.
Em nota, após a operação de terça-feira (20), a concessionária
RIOGaleão afirmou que desde o início de sua atuação, em 2014, "apoia as
investigações e ações da Polícia Federal e demais órgãos públicos para
coibir atos ilícitos no Aeroporto Internacional Tom Jobim, onde atuam
mais de 15.000 funcionários de 650 empresas". "O RIOgaleão não tolera
práticas que descumpram qualquer procedimento operacional e de segurança
e possui rigorosos processos de prevenção de ilícitos".
Por Marco Antônio Martins, G1 Rio








