Cerca de 200 pessoas participaram, segundo cacique. Vítima foi espancada no dia 1º de janeiro e morreu no hospital, no dia seguinte.
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| Cerimônia religiosa e protesto contra morte de indígena ocorre na tarde desta quarta-feira (10) em Penha no mesmo local onde houve o homicídio (Foto: Fabiano Correia/NSC TV) |
Indígenas fizeram cerimônia religiosa e protesto em Penha,
no Litoral Norte catarinense, na tarde desta quarta-feira (10) contra o
assassinato de Marcondes Namblá, de 38 anos. Os atos foram feitos no
Centro da cidade, onde ele foi espancado na madrugada de janeiro. As
agressões provocaram a morte da vítima, no dia seguinte.
Namblá era do povo Laklãnõ-Xokleng, da Terra Indígena Laklãnõ. Imagens
de câmeras de monitoramento mostram o momento em que ele é agredido por
um homem que estava com um pedaço de madeira. O indígena foi atingido na
cabeça e caiu, continuando a apanhar em seguida. O autor da agressão
ainda não foi preso.
Cerimônia
Cerca de 200 indígenas do grupo Xokleng de José Boiteux, no Vale do
Itajaí, participam do protesto, disse o cacique Caruso Tschvu Patê à NSC
TV. A Polícia Militar de Penha acompanha o ato, mas não disse o número
de manifestantes. A cerimônia religiosa, feita na língua dos indígenas,
durou cerca de uma hora e começou perto das 14h30.
Depois da cerimônia, uma lança foi fincada no canteiro em memória de
Marcondes e todos seguiram até a casa onde ele estava hospedado
temporariamente em Penha, para vender picolés.
Investigação
Os indígenas não acreditam que a motivação do crime tenha sido fútil,
como indica o inquérito da Polícia Civil, e pedem pra que a Polícia
Federal e o Ministério Público Federal investiguem o crime.
A comunicação da PF explicou, porém, que a corporação só atua em casos
de disputas de direitos das comunidades indígenas, como territórios.
Como para a PF não há indício desse tipo de situação, a investigação
cabe à Polícia Civil.
O MPF afirmou que acompanha a investigação e que procedimentos que serão adotados estão em processo final de elaboração.
Suspeito
Gilmar César de Lima, de 22 anos, teve a prisão preventiva decretada na
quinta (4) suspeito de ter matado o indígena, mas segue foragido. A
polícia trabalha com a hipótese de que o espancamento do indígena tenha
ocorrido por motivo fútil.
"Ele [vítima] teria mexido com o cachorro dele [suspeito]. Não houve
briga anterior", disse o delegado Douglas Teixeira Barroco.
Os policiais pedem que quem tiver informações sobre a localização do suspeito informe a polícia através do telefone 181.
Vítima
Namblá estava pela primeira vez na cidade para vender picolés para
complementar a renda. Ele foi sepultado na tarde de 3 de janeiro na
aldeia Coqueiros em José Boiteux, onde vivia em uma casa na Aldeia
Barragem junto com a família da esposa e os cinco filhos.
Professor formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC),
ele ensinava crianças de tribos indígenas na mesma escola onde aprendeu a
ler. O próximo objetivo dele era o mestrado. No ano passado, ele se
tornou juiz das terras indígenas.
Por NSC TV





