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| Dezenas de presos fugiram por um túnel escavado na ala 14, onde ficam os detentos perigosos (Fotos: Arquivo/Folha/Divulgação) |
A maior fuga da
história do Sistema Prisional de Roraima foi registrada na Penitenciária
Agrícola de Monte Cristo (Pamc) na madrugada de ontem, dia 19. O
Governo do Estado, por meio da Secretaria de Justiça e Cidadania
(Sejuc), anunciou que pelo menos 95 detentos conseguiram fugir, enquanto
um agente revelou à Folha que o número presidiários foragidos pode ser
maior que 100.
Os presos conseguiram deixar a unidade
prisional após indivíduos, do lado de fora, provocarem uma pane
elétrica. O bando evadiu-se por um túnel que media aproximadamente 100
metros. Os fugitivos tiveram apoio do grupo, que aguardava em um carro
do lado de fora.
O secretário de Justiça e Cidadania,
Ronan Marinho, disse que uma contagem foi iniciada às 8horas de ontem e
que deveria se estender pela noite. Ele reforçou que a contagem de
presos acontece com frequência. “Pelo menos uma vez por mês, a gente faz
uma operação de recontagem de preso. Em dezembro contamos os presos e
tinha 1.208 lá dentro. Foi exatamente o dia em que houve a saída
temporária do Natal, quando pelo menos 70 presos saíram”, explicou.
Marinho disse ainda que a situação está
“sob controle” e que a fuga aconteceu devido à deficiência estrutural do
presídio. “O presídio foi construído para ser uma colônia agrícola, mas
hoje são mais de 1.200 presos lá dentro. São presos que ainda conseguem
sair de suas alas e ficam soltos durante a noite. Estamos investindo
maciçamente no controle e infelizmente isso [a fuga] aconteceu hoje
[ontem]”, destacou.
Quanto ao túnel que começa na Ala 14, do
regime fechado, e termina após a cerca metálica, a Sejuc disse que não é
novo, que se trata de uma escavação antiga que foi reaproveitada pelos
detentos, considerando que, segundo Marinho, o terreno da Pamc está
totalmente “revirado”. “Esse túnel foi demolido parcialmente quando foi
descoberto no começo do mês. Não foi feita a demolição total porque a
Penitenciária tem uma deficiência estrutural que não permite entrada de
tratores maiores. Nós estamos corrigindo isso hoje. Estamos demolindo um
portão de lá para entrar uma retroescavadeira maior para demolir esse
túnel totalmente”, ressaltou.
Servidores, que pediram para não ser
identificados, disseram logo no começo da manhã de ontem que o número
era consideravelmente maior em relação aos números anunciados
oficialmente, de apenas seis foragidos. “Alerta geral para a sociedade. A
Pamc não tem mais condições de suportar tanto preso numa estrutura
deplorável. Já existe um grande túnel que ninguém fechou. Os presos
mudam apenas a saída dele”, declarou o servidor.
Quanto ao material usado para a
escavação do túnel, o secretário acredita que os presos tenham acesso a
pás e picaretas. “Em 2013, eu era comandante da tropa. Só eu entrei ali
oito vezes e numa dessas oito vezes nós tiramos dois caminhões de
utensílios, de pás, picaretas que estavam nas mãos dos presos. Eu tenho
certeza que aquele terreno tá todo removido. A gente demole um túnel e
encontra resquício de outros. Faremos reforma nas alas para que não
consigam cavar e depois vamos diminuir os espaços internos, comprimindo
mais ainda o presídio. Essa reforma vai enfrentar o problema do terreno
que está muito escavado”, adiantou o secretário. (J.B)
ÀS ESCURAS
Criminosos desligaram o fornecimento de energia para que fugas ocorressem
Criminosos desligaram o fornecimento de energia para que fugas ocorressem
A Secretaria de Justiça e Cidadania
informou que, para facilitar as fugas que ocorreram na Pamc, indivíduos
do lado de fora arquitetaram o plano, fazendo com que o fornecimento de
energia do presídio fosse desligado no exato momento em que os presos
começaram a sair do túnel.
“Tinha um carro de apoio do lado de
fora. O ataque às instalações elétricas da Pamc aconteceu por volta da
meia noite para dificultar o monitoramento das equipes de guarda. Foi
nesse apagão que os presos conseguiram alcançar a parte de fora, usando o
túnel”, disse o secretário de Justiça e Cidadania.
Ainda na tarde de ontem, três ocupantes
do veículo que deram apoio a fuga foram presos e prestaram depoimento.
“Com essa prisão, desse indivíduo que apoiou a fuga, nós vamos conseguir
chegar a outras pessoas. Existe uma investigação, que está em
andamento, não posso dar detalhes. Mas é informação de uma operação que
nós fizemos em novembro, na Penitenciária, onde foi feita uma apreensão
de vasto material e que está resultando numa série de prisões de membros
de facção criminosa aqui fora e elucidação de vários homicídios”,
ressaltou o secretário Ronan Marinho.
Na coletiva de imprensa, realizada na
tarde de ontem, dia 19, o secretário da Sejuc disse que as organizações
criminosas estão inquietas devido à ação policial intensificada nos
últimos meses. “Eu coloco essa fuga como uma resposta deles. Eles estão
querendo, de alguma forma, criar tumulto dentro das unidades prisionais
porque estão sendo investigados e comprimidos. Estamos conseguindo
chegar até eles com a rede de apoio da Dicap ligado à Inteligência da
Polícia Militar e Inteligência da Polícia Civil e vocês vão ver como
muitas prisões vão acontecer com indivíduos que estão dando apoio para
essas organizações criminosas, inclusive pessoas que ninguém suspeita”,
pontuou.
Nove foragidos foram recapturados
Até as 22 horas de ontem, 12 criminosos
tinham sido presos, sendo nove foragidos recapturados e três pessoas que
auxiliaram na fuga. Oito foram identificados: Fernando Goes Pereira,
Felipe France Fidelis Lemos, Eliercio da Silva Peixoto, Fábio Martins da
Silva, Mayke Roberto de Souza da Silva, Nilton Jose Abraão (vulgo
Bira), Waldenilton Pereira Joaquim e Getúlio Correa de Pinho Tompsom.
Uma lista com os nomes dos presos e as
respectivas fotografias será divulgada à imprensa para que a população
faça as denúncias a fim de que as recapturas sejam efetuadas. Quem tiver
informações sobre os foragidos deve entrar em contato com a Dicap
(Divisão de Inteligência e Captura), da Sejuc, pelos telefones
0800-2780-130, (95) 99139-9529 ou pelo número 190 da Polícia Militar. A
denúncia pode ser anônima, mas em qualquer circunstância a identidade da
fonte será mantida em absoluto sigilo. (J.B)
Por João Barros





