Conservadores e social-democratas formaram coalizão após mais de 4 meses de negociação.
Os conservadores da chanceler alemã Angela Merkel e os
social-democratas alcançaram um acordo para formar um governo de
coalizão na Alemanha, mais de quatro meses após a eleição e depois de
muitas horas de negociações ininterruptas em Berlim, anunciaram a
imprensa do país e membros do parlamento nesta quarta-feira (7).
O canal de televisão público ARD, a revista "Der Spiegel" e o jornal
"Bild" informaram que as duas partes resolveram suas divergências e
assinarão um acordo.
Negociadores dos sociais-democratas (SPD) também publicaram em seus
perfis nas redes sociais que o acordo foi fechado. "Cansados, mas
contentes", escreveram os principais dirigentes do partido, ao lado de
uma foto com o presidente da sigla, Martin Schulz. Segundo eles, o texto
está pronto e agora estão sendo ajustados apenas os últimos detalhes.
Segundo o jornal “Bild”, Schulz deve se tornar o Ministro das Relações Exteriores.
O acordo foi fechado após mais de quatro meses de bloqueio político. Conservadores e social-democratas discordavam sobre a divisão do ministério, a reforma da saúde e a regulamentação dos contratos de trabalho temporários.
Segundo a imprensa alemã, os social-democratas estarão à frente de três
importantes ministérios no futuro gabinete: Finanças, Relações
Exteriores e Trabalho. A agência Reuters, citando uma fonte anônima, diz
que o SPD ficou também com os ministérios da Justiça, da Família e do
Meio Ambiente.
O acordo ainda precisa ser aprovado pelos 464 mil membros do SPD por
meio de uma votação por correspondência, antes que o partido possa
avançar e aderir a uma nova coalizão com Merkel.
Futuro de Merkel
Com a coalizão, Merkel assegura sua sobrevivência política, com um possível quarto mandato depois de 12 anos no poder.
A incerteza política dos últimos quatro meses enfraqueceu o papel do
país em assuntos internacionais e lenatou dúvidas sobre a permanência de
Merkel no cargo de chanceler.
Depois do fracasso em novembro
para alcançar o acordo, a chanceler ficou sem margem erros se quisesse
conservar as rédeas do país. E havia se declarado disposta a "encontrar
um compromisso construtivo" com o SPD, mas sem ultrapassar algumas
linhas vermelhas.
No dia 12 de janeiro, Merkel conseguiu um pré-acordo,
que depois foi submetido à aprovação das instâncias dirigentes dos três
partidos envolvidos - especialmente o SPD, que entrou contrariado nas
negociações depois de uma humilhante derrota nas legislativas de
setembro do ano passado.
No último dia 22, o SPD exigiu dos conservadores concessões sobre imigração e assistência médica.
As negociações transcorreram em um contexto desfavorável tanto para os
democrata-cristãos como para os social-democratas, ambos punidos pelos
eleitores nas legislativas de setembro, que foram marcadas pela entrada
no parlamento da extrema-direita do país.
Os dois somaram uma pequena maioria de votos e Merkel obteve uma vitória com um resultado historicamente baixo.
Na época, 56% dos alemães acreditava que a chanceler deixaria o cargo
antes do final de seu mandato, segundo uma pesquis citada pela France
Presse.
Por France Presse


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